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Postado em 20/Julho de 2017
Livros-texto descrevem o registro fóssil como a “melhor evidência” para a evolução. Eles clamam que o registro fóssil prova a evolução porque parece haver uma sucessão das formas mais simples de vida para as mais complexas, e uma sucessão das formas marinhas para as terrestres. Charles Darwin sugeriu que toda a vida tem um ancestral comum. “Todos os seres orgânicos que já viveram na Terra podem ter descendido de alguma forma primordial.”[1] Darwin descreveu a história da vida como uma árvore, com o ancestral comum como sua raiz. A dimensão vertical representa tempo, enquanto a dimensão horizontal representa variação morfológica.
Quando Darwin escreveu A Origem das Espécies, os fósseis mais antigos conhecidos eram das camadas do Cambriano (período geológico que se iniciou há cerca de [supostos] 540 milhões de anos, de acordo com a datação radiométrica). Ele percebeu que o padrão fóssil do Cambriano não se adequava à sua teoria. “Para a pergunta por que nós não encontramos ricos depósitos fossilíferos pertencentes a esses períodos assumidos os mais antigos, antes do sistema Cambriano, eu não posso dar uma resposta satisfatória.”[1] Por que o registro fóssil Cambriano foi um problema para Darwin? Porque se a evolução biológica ocorreu de um modo gradual e contínuo, então (1) poucas formas fósseis (baixa diversidade) deveriam ocorrer nas camadas inferiores do registro sedimentar ou coluna geológica, (2) a diversidade deveria crescer em direção ao topo da coluna geológica (assim como o tempo), (3) as formas mais antigas deveriam ser mais generalistas e simples (baixa especialização), não altamente especializadas, (4) maior especialização deveria ocorrer nos organismos das camadas superiores, (5) novas formas deveriam estar substituindo formas ancestrais com sinais de mudança gradual (organismos intermediários ou transicionais) e (6) um ancestral comum deveria ser encontrado.
Darwin reconheceu a existência de uma “anomalia” no registro fóssil que representava um grande problema para sua teoria de evolução gradual a partir de um ancestral comum: o surgimento abrupto de formas de vida altamente complexas nas camadas basais do Cambriano. Seu aparecimento é tão abrupto que foi apelidado de a Explosão Cambriana.
O registro fóssil das camadas inferiores do período Cambriano consiste de variadas formas de animais interpretadas como tendo vivido na base do oceano. Elas são representativas da maior parte dos filos modernos, incluindo equinodermas (estrelas-do-mar, ouriços-do-mar), esponjas, moluscos, artrópodes, etc.
Foi sugerido que todos os ancestrais dos organismos Cambrianos tiveram partes moles e, portanto, não foram fossilizados. Esse argumento não é válido porque há muitos fósseis de organismos de corpo mole no registro sedimentar, incluindo muitos dos fósseis Cambrianos. As águas-do-mar têm muitas partes moles e, no entanto, deixaram muitos fósseis distintos nas rochas do Cambriano. Não é que não existam fósseis nas rochas abaixo das camadas do Cambriano. Eles existem na verdade em várias partes do mundo, e são chamados de fauna Pré-Cambriana Ediacarana. A fauna Ediacarana antecede a explosão Cambriana em 25 milhões de anos na escala do tempo evolucionária. A fauna Cambriana é descendente da fauna Ediacarana? A fauna Ediacarana consiste em animais de corpo mole, enquanto a fauna Cambriana corresponde a criaturas de corpo mole e de corpo duro (com conchas). Os animais Ediacaranos não foram os ancestrais dos animais Cambrianos.
Os cientistas estão intrigados pelas vastas mudanças evolutivas que ocorreram em tão pouco tempo. Muitos paleontólogos acreditam que a fauna Cambriana representa a substituição completa das formas Pré-Cambrianas Ediacaranas (animais de corpo mole, sem esqueleto, que pré-datam a Explosão Cambriana em 25 milhões de anos na escala de tempo evolucionária) após uma extinção em massa, não a mudança gradual simples. Mas não há evidência para essa especulação. E o modelo darwiniano para a origem dos animais requer a existência de ancestrais dos organismos Cambrianos. Mas eles não são encontrados em lugar algum e não parece que pesquisas futuras resolverão o problema. Quais são algumas das especulações para o rápido surgimento dos fósseis Cambrianos? Paul Smith, um paleobiólogo do Museu de História Natural da Universidade de Oxford, disse em uma entrevista para a livecience.com que “há cerca de 30 hipóteses por aí para a Explosão Cambriana”. Os cientistas têm sugerido tudo, desde variações genéticas a mudanças geoquímicas, e até mesmo um padrão luminoso estrelado na Via Láctea, para explicar a explosão repentina na diversidade.[2]
Foi sugerido que o aumento no conteúdo de oxigênio há cerca de 700 milhões de anos desencadeou a evolução de estruturas corpóreas mais complexas. Mas pesquisas têm demonstrado que o conteúdo de oxigênio nas rochas de alegadamente 2,1 bilhões de anos foi provavelmente o mesmo do período em que a Explosão Cambriana ocorreu.[3] Mesmo se um aumento de oxigênio ocorreu algum tempo antes do Cambriano essa hipótese não explica o porquê de uma ocorrência repentina e não um surgimento gradual.
Alguns tem sugerido que a Explosão Cambriana foi desencadeada por uma subida global do nível do mar com a consequência da inundação das áreas continentais rasas e planas. As áreas inundadas teriam provido um vasto habitat para os organismos aquáticos, mas seriam erodidas, liberando para a água do mar muitos minerais, tais como cálcio e estrôncio. Esses minerais são tóxicos para as células e os organismos teriam que evoluir a habilidade de excretar os minerais tóxicos. Consequentemente, o que eles fizeram foi incorporar esses minerais em seus exoesqueletos, possibilitando planos corpóreos muito mais complexos e alimentando adaptações. O problema para essa hipótese é que ela pressupõe que as superfícies de terra Cambrianas foram erodidas, que os minerais foram liberados para o mar e absorvidos nos esqueletos e que tudo isso desencadeou evolução. Não há evidência conhecida para essa cascata de eventos, e, portanto, eles não podem ser usados para explicar por que a fauna Cambriana surgiu repentinamente.
Outra especulação é que uma extinção ocorreu um pouco antes do Cambriano e abriu nichos ecológicos ou “espaços adaptativos” que as novas formas exploraram.[4] Um grande problema para essa hipótese é que não há evidência para tal extinção Pré-Cambriana, exceto para a extinção da fauna Ediacarana, que, no entanto, não está de nenhuma forma relacionada à fauna Cambriana. Além disso, seria necessário explicar tanto a extinção Pré-Cambriana quanto a origem desses organismos Pré-Cambrianos.
Alguns paleontologistas têm sugerido que fatores genéticos foram cruciais para o rápido surgimento da fauna Cambriana.[2] Eles propõem que a evolução gradual de um “kit” de genes ocorreu antes da Explosão Cambriana. Esses genes controlaram os processos de desenvolvimento. Um período sem precedentes de mudanças genéticas ocorreu, o que desencadeou o aparecimento de muitas novas formas biológicas (diversidade) e o desaparecimento de muitas outras. Apenas os planos corpóreos adaptados vieram a dominar a biosfera. Os problemas com esse modelo são vários. Primeiro, essa ideia é puramente especulativa, não baseada em espécimes Pré-Cambrianas reais. Segundo, o cenário é plausível, mas ainda não explica a surgimento abrupto observado no Cambriano. E terceiro, a última afirmação – de que apenas planos corpóreos que se tornaram mais adaptados vieram a dominar a biosfera – é um raciocínio circular.
Essas hipóteses são apenas uma amostra das muitas já sugeridas. É importante notar que o que elas oferecem é um número de possíveis eventos ambientais, genéticos e geoquímicos associados com a rápida origem da fauna Cambriana, mas não como a fauna Cambriana se originou. Há uma diferença fundamental entre afirmar o que pode ter ocorrido durante o surgimento da fauna Cambriana e como a fauna surgiu em passos graduais a partir de um ancestral comum. O que necessitamos é de um mecanismo para a origem repentina, não uma descrição dos resultados.
A Explosão Cambriana é um problema tremendo para a teoria da evolução. Não há evidência de como os organismos Pré-Cambrianos unicelulares ou multicelulares de corpo mole poderiam ter evoluído para os organismos de carapaça e de corpo mole altamente complexos e diversificados. Os animais complexos do Cambriano aparecem abruptamente no registro fóssil com cada órgão e estrutura completos e prontos para a sua função. Algumas das estruturas biológicas mais complexas já estão presentes nos organismos Cambrianos, tais como o olho da lula, que é muito similar ao olho humano.
Tanto os fósseis Cambrianos quanto os Pré-Cambrianos indicam surgimento repentino de (1) alta complexidade, (2) alta diversidade e (3) ampla distribuição geográfica. Essas feições são um problema para a teoria da evolução porque não são esperadas dentro de um modelo de aparecimento gradual e mudança com o tempo. De acordo com o modelo de evolução darwiniano, os primeiros organismos deveriam ser muito simples (baixa complexidade) e mostrar baixa diversificação (deveria haver poucas formas). As formas iniciais deveriam ser muito similares (baixa disparidade) e se diferenciar progressivamente. Ao invés disso, encontramos alta disparidade desde o começo do registro fóssil animal. Todas essas feições estão em assinalada contradição com as pressuposições e predições darwinianas.
Existe uma alternativa para os modelos evolutivos? Podemos prover uma hipótese razoável dentro de um modelo de dilúvio bíblico de curto tempo? A resposta é sim. O modelo do dilúvio provê uma explicação razoável para a Explosão Cambriana. Primeiro, ele explica por que os ancestrais do Cambriano não foram fossilizados – porque, na realidade, eles não existiram. Segundo, ele provê um cenário para o soterramento e fossilização dos organismos Cambrianos. Provavelmente os fósseis Cambrianos foram espécies que viveram no fundo oceânico pré-diluviano e foram os primeiros soterrados pelo sedimento levado para os oceanos. Ou eles podem ter sido soterrados no começo do dilúvio, quando “todas as fontes do grande abismo se romperam” (Gênesis 7:11). A abertura dessas fontes deve ter sido um evento catastrófico que pode ter causado terremotos subaquáticos, grandes ondas, correntes, e a remoção e transporte de grandes massas de sedimento, que provavelmente foram depositadas cobrindo superfícies excessivamente amplas do fundo marinho, soterrando, dessa forma, seus habitantes – a fauna Cambriana. A fauna Pré-Cambriana teria sido de animais e organismos unicelulares soterrados e fossilizados durante eventos de sedimentação ocorridos após a queda e antes do dilúvio.
(Raúl Esperante, Geoscience Research Institute, Loma Linda, Califórnia; https://grisda.wordpress.com/2015/05/11/the-cambrian-explosion/; tradução de Hérlon Costa e David Pereira)

Referências:
[1] Darwin, C. 1872. The Origin of Species, 6th edition, p. 289.
[2] Levinton, J. S. (2008). The Cambrian Explosion: How do we use the evidence? Bioscience, 58(9), 856-864.
[3] Oxygen is not the cause of the Cambrian explosion. Astrobiology Magazine, October 22, 2013.
[4] Marshall, C. R. (2006). Explaining the Cambrian “Explosion” of animals. Annual Review of Earth and Planetary Sciences, 34(1), 355-384.
A Explosão Cambriana ou o “big bang” da vida
Marcos 16:15