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Marcos 16:15
O cérebro, o embrião, a mente e o aborto

Postado em 30/Agosto/2018

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Tudo começou em uma tarde de segunda-feira com uma imagem enviada pelo whatsapp. A imagem fazia refletir se fetos eram humanos ou não. A partir de quando o feto se torna um ser vivo [humano]? Qual a relação disso com a Bíblia e o aborto? Realmente, tratar destas questões é encontrar uma série de problemáticas envolvidas. E para falar de aborto pautaríamos a nossa discussão usando a cosmovisão cristã. Nossos valores seriam expostos na mesa como se fossem cartas de um baralho e logicamente como 1 + 1 é 2 chegaríamos a um consenso sobre todas as perguntas que o tema envolve. Porém, o problema é mais “cabeludo” do que perece ser.
Entendemos aborto como qualquer ação que vise pôr fim a uma gravidez já estabelecida. Neste sentido, é diferente de controle de natalidade, que a intenção é de impedir a gravidez. Compreendemos que tudo que foge da ordem natural [criação original], deve ser observado com atenção. Aborto, na nossa cosmovisão, é errado e consequentemente taxado como pecado perante Deus. Sexo fora do casamento, sem exceções, também está fora do modelo bíblico. Seria muito mais fácil usar métodos contraceptivos, do que encarar um aborto. E a gravidez indesejada acontece, na maioria das vezes, pelo ato sexual inconsequente. Claro que não estamos esquecendo os casos de estupro, problemas de formação cerebral ou abortos que envolvem a saúde da mãe [E não estamos discutindo a validade do aborto nesses casos, apesar de sermos contra]. Porém, estupro ou sexo fora do casamento, são moralmente errados pelos nossos valores bíblicos. O que queremos enfatizar é que o aborto é um resultado de uma prática longe dos preceitos naturais do Criador.
Quando um feto se torna vida?
Alguns defendem que o cérebro pauta a definição do que é vida e o que não é. Na verdade, as perguntas seriam diferentes: é o cérebro que define o que é vida ou o que é um ser humano? A inexistência de atividade cerebral é sinal de inexistência de vida? Alguns acreditam que para ter vida [humana] é preciso que o sistema nervoso central esteja funcionando.
Imagem que causou a discussão
Estágios do desenvolvimento do embrião.
Podemos dizer que um ser vivo já existe antes mesmo do desenvolvimento do sistema nervoso central, pois todas as informações para este funcionamento estão presentes e funcionantes. Se não houver nada que atrapalhe este desenvolvimento, tudo estará perfeito e funcional. A formação do sistema nervoso e o surgimento das primeiras células, central já ocorre nos primeiros dias de gestação. As sinapses começam a formar-se lá pela quinta semana. Logo em seguida a atividade cerebral começa. Isso é lá pelo início do segundo mês.  Faz pouco ou nenhum sentido tentar estabelecer uma regra de 12 semanas (quase 3 meses) com base na atividade cerebral para liberação do aborto, pautado na ideia de que antes não havia ser humano com mente desenvolvido.
O que vai definir o ser pessoal será sua mente, mas o que o define como ser vivo humano já ocorre antes da formação da sua mente, no ato da fecundação onde essa “máquina” é gerada, onde inicia esse processo de desenvolvimento chamado vida.
A própria questão salvífica é tocada pela atividade cerebral, pois sem atividade cerebral, não existe a consciência [mente] da necessidade de um salvador.
Podemos compreender a vida como sendo a união da psique (mente) com o pneuma (fôlego de vida) e a sarks (corpo). O termo Nephesh, do hebraico, engloba as três partes. Destes três, apenas uma não foi matéria prima usada por Deus. Deus formou o homem do pó da terra e depois soprou o fôlego de vida. A união de corpo com fôlego de vida resulta em uma alma vivente. Toda alma vivente possui algo que a diferencia das plantas e demais criações de Deus – a mente!
Portanto vejo que a presença da mente é fundamental para o reconhecimento de um ser pessoal. Levando em conta a polissemia hebraica, e de que o pensamento por trás do grego do novo testamento é hebraico em sua maioria, a palavra psyque, devia derivar sua interpretação da Nefesh, que não separa mente, do corpo, ou de outra “parte”. Em outras palavras, para a Bíblia éramos partes (pó da terra + fôlego de vida) , e agora somos um todo indivisível desde a concepção (Nefesh Haya). Logo, segundo o próprio Nefesh, esse todo é um ser, completo em si, porém passível de desenvolvimento. Indivisível por estar plenamente conectado, porém passível de expansão.
Segundo o neurologista Roberto Lenz Betz:
Fôlego de vida é uma propriedade vital que os seres possuem. Vida gera vida, obrigatoriamente passando pelos meios que Deus criou. Um relógio montado é como um corpo, e a corda seria o fôlego de vida que na Bíblia que nos concede a vida.
Corpo humano (Relógio) + Fôlego de vida (Corda) = Ser vivente
A mente só existe se houver atividade cerebral. A morte cerebral ocorre pela consequência do pecado que abriu a possibilidade de um ser humano morrer, porém os embriões já são considerados “seres vivos” mesmo sem atividade cerebral. Nesse pensamento, o embrião deixa de ser  um monte de células, e passa a ser humano [pessoal] com a formação da mente e funcionamento do sistema nervoso central. A mente é um produto do funcionamento do cérebro. Atividade cerebral é necessária mas não suficiente para caracterizar-se como uma mente de pessoa.
Os teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles. Salmo 139:16
O embrião possui o código genético completo, exclusivo que compõe o desenvolvimento do ser humano. Vida, no sentido bíblico, começa no ato da fecundação, quando se forma um código genético do ser vivo. Apesar do sistema nervoso central começar a se desenvolver dias após a fecundação, as informações genéticas necessárias estão presentes. Na formação do embrião, toda informação genética necessária está disponível. O DNA contém o projeto básico do cérebro. Dois irmãos gêmeos com o mesmo DNA mas vivendo experiências diferentes, terão mentes diferentes. Isso significa que a mente se forma não apenas pela programação do DNA, mas também via informações de outras fontes, incluindo fortemente o ambiente externo. Porém, a morte seria definida pela falha desta perfeição. A morte ocorre quando perdemos o funcionamento de forma irreversível do cérebro. A morte não é a ausência de mente, pois se tomamos uma anestesia perdemos a mente de forma temporária. A morte é quando a atividade cerebral acaba e não consegue mais manter o corpo funcionando.
Nos primeiros meses de vida após o nascimento, a criança ainda não é consciente do mundo ao seu redor. Ela se desenvolve aos poucos por meio de aprendizados. Antigamente, especulava-se que o ser humano já nascia com um conhecimento intrínseco da realidade que apenas aflorava com o tempo. Isso incluiria até mesmo a língua original da humanidade. Crianças foram criadas em isolamento para testar ideias assim. O resultado foi terrível. Elas aprenderam apenas o básico sobre o ambiente físico (já nascemos com mecanismos básicos para aprender essas coisas pela interação com o ambiente).
Pelo que sabemos atualmente, o cérebro nasce pré-programado com vários mecanismos básicos, envolvendo processamento sensorial básico, mecanismo que permite aprendizado via tentativa e erro. Também já vem com um mecanismo para lidar com moralidade, mas provavelmente precisa ser programado com regras específicas. Mas o fato de termos redes especializadas em aprender coisas em cada uma dessas áreas, e se essas redes não forem devidamente treinadas, a funcionalidade delas é extremamente limitada.
Conclusão da discussão
A vida, no sentido bíblico, ocorre no momento da fecundação. Mesmo que o sistema nervoso central comece a se desenvolver somente alguns dias após, o embrião contém todas as informações genéticas para o seu perfeito desenvolvimento. A atividade cerebral pauta o início do desenvolvimento da mente que é aperfeiçoado ao longo da existência do individuo e cria a consciência do indivíduo pessoal. Morte é o cessamento das atividades cerebrais de manutenção da “máquina” que é o corpo humano. Aborto, pautado pelos princípios bíblicos, é moralmente errado desde o momento da fecundação.
Este texto não tem por objetivo discutir as questões intrínsecas deste debate (estupros, doenças, problemas de má formação fetal, partos que colocam em risco a vida da mãe, etc e tal). Apenas estamos conceituando o que é vida, o que é um ser individual (consciência) e quais os problemas envolvidos nessas questões.