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Postado em 14/Setembro de 2017
Parece que 2017 poderia se tornar um tipo genuíno de annus horribilis para o estabelecido consenso científico sobre a evolução humana. Tudo começou com cinco descobertas que se tornaram manchetes mundiais no início deste ano:
1. Após anos de acalorado debate, uma nova análise filogenética feita por Argue et al (2017) finalmente revelou que o “Hobbit”, Homo floresiensis da Indonésia, não é um descendente anão do Homo erectus, como se tornara a aceitação geral, mas um descendente de um hominídeo arcaico Africano próximo do Homo habilis, que não deveria nem existir naquele remoto lugar fora da África, nem naquele período tardio, mais de 1,75 milhão de anos após a suposta extinção desse tipo (Australian National University 2017).
2. Um novo estudo feito por Dirks et al (2017) provou que o Homo naledi de uma caverna na África do Sul, que fora considerado o elo perdido entre o gênero símio australopitecíneo e nosso próprio gênero Homo, tem na verdade apenas [sic] 250.000 anos e é contemporâneo de humanos mais modernos. Consequentemente, é jovem demais para ser um elo evolucionário (Barras 2017a), mas por outro lado muito primitivo para sua idade jovem.
3. Como reportado por Gibbons (2017), o Australopithecus sediba, outro “elo perdido” falho, foi refutado como ancestral na linhagem dos Homo pelo paleoantropólogo Bill Kimble, em uma nova análise filogenética, e ao invés disso classificado no ramo dos australopitecíneos sul-africanos de formas mais símias (Evolution News 2017).
4. Em seguida, mais uma parte da história da narrativa padrão sobre as origens humanas se desmantelou: Holen et al (2017) demonstrou na revista Nature que humanos não chegaram à América há apenas 14.000 anos [sic], mas circularam pelo sul da Califórnia por volta de 130.000 anos atrás [sic]. Essa descoberta reescreve a história da humanidade e, como podemos ler no artigo, “irá desencadear tormentas de fogo de controvérsia” (Greshko 2017).
5. Finalmente, em junho, a descoberta de fragmentos do crânio de um Homo sapiens e ferramentas de pedra de 315.000 anos de idade [sic] em Jebel Irhoud no Marrocos (Hublin et al 2017, Richter et al 2017) revirou o conhecimento estabelecido de que o Homo sapiens se originou mais de 100.000 anos depois e 3.000 milhas mais ao leste na Etiópia. Essa descoberta de fato “abalou [as] fundações da história humana” (Sample 2017) ao mostrar que “nossa espécie evoluiu muito mais cedo do que pensávamos” (Tarlach 2017a), e por “contestar a noção popular da existência de um ‘Éden’ Leste-Africano ou um berço da humanidade” (Newitz 2017).
Dessa forma, cinco “fatos” previamente “incontestáveis” da evolução humana se tornaram nada mais que reivindicações fictícias neste ano. Mas claro que a narrativa evolucionária é flexível o bastante para acomodar todos esses novos “fatos” em uma história revisada não verificável. Alternativamente, preferiram simplesmente descartar as evidências considerando-as falsas, como no caso dos americanos mais antigos. Mas 2017 não para por aí para a evolução humana.
Em 31 de Agosto, uma notícia da Universidade de Uppsala na Suécia anunciou: “Pegadas fossilizadas desafiam as teorias estabelecidas sobre a evolução humana.” A descoberta de fato é uma bomba que irá criar considerável controvérsia adicional. A publicação técnica por Gierlinski et al descreve pegadas fossilizadas em Trachilos, no lado ocidental de Creta, que são confiavelmente datadas como Mioceno tardio de cerca de 5,7 milhões de anos [sic]. Essas pegadas são indubitavelmente de um grande primata bípede com pés semelhantes aos humanos, e é precisamente o formato dos nossos pés “uma das características que definem a inclusão no ramo humano” (Ahlberg & Bennett 2017). Como a revista Discover reportou, “em um ano de grandes abalos na história da evolução humana, um estudo publicado pelo jornal Proceedings of the Geologists’ Association pode ser ainda o mais impactante” (Tarlach 2017b). Isso se dá pelos seguintes enigmas:
1. As pegadas fossilizadas são descabidas porque são muito antigas: apesar de datações radiométricas parecerem estar faltando, a datação bioestratigráfica está muito bem estabelecida por microfósseis marinhos, chamados foraminíferos, como sendo fósseis de idade, nas camadas acima e abaixo do horizonte das pegadas, bem como uma assinatura típica do clímax da Crise de Salinidade Messiniana (há 5,6 milhões de anos [sic]) nos sedimentos diretamente sobre elas (Ahlberg & Bennett 2017). Com uma idade de 5,7 milhões de anos, essas pegadas são 2,5 milhões de anos mais velhas que o fóssil icônico de Lucy e também 1,3 milhão de anos mais velhas que Ardi. Entre os supostos ancestrais hominídeos, apenas os dois casos dúbios, o Sahelanthropus tchadensis do Chade (cerca de 7 milhões de anos de idade [sic]) e o Orrorin tugenensis do Kenia (cerca de 6 milhões de anos de idade), assim como o imprecisamente datado Ardipithecus kadabba da Etiópia (5,8-5,2 milhões de anos de idade) podem ser mais antigos. Entretanto, nenhum deles possui os pés preservados, e dessa forma não sabemos se eles são de forma símia ou humana.
2. As pegadas fossilizadas são descabidas porque elas ocorrem na região geográfica errada: todos os hominídeos primitivos que têm mais de 1,8 milhão de anos foram encontrados apenas na África, o que levou ao batido conhecimento de que humanos se originaram na África e apenas após o advento de nosso próprio gênero Homo migraram para outros continentes, em vários eventos “fora da África”. Um hominídeo Europeu em tal idade precoce simplesmente não se encaixa na narrativa comum e refuta a bonita história “Fora da África”.
3. As pegadas fossilizadas são modernas demais em sua aparência: com sua longa sola, com esfera característica e dedão alinhado com os outros dedos (todos sem garras), essas pegadas diferem de todos os outros animais terrestres, incluindo os mais parecidos com símios (sem esfera e com o dedão saltando para fora lateralmente), e do muito mais jovem Ardipithecus ramidus, que é o mais recente hominídeo com pés bem preservados, descoberto em camadas de 4,4 milhões de anos [sic] na Etiópia. As pegadas de Creta se assemelham às famosas pegadas Laetoli da Tanzânia, datadas de 3,66 milhões de anos [sic] e atribuídas ao Australopithecus afarensis como as mais antigas pegadas humanas conhecidas até agora, mas são também parecidas com as pegadas humanas modernas.
Isso significa que os cenários bem estabelecidos da evolução humana devem ser falsos, não apenas com relação à sua localização geográfica e período, mas também com relação ao modelo da origem da espécie e a suposta linhagem que vai do Ardipithecus através dos australopitecíneos até os humanos. Quando a mais antiga evidência de pés hominídeos antecede os supostos ancestrais africanos como Ardi e Lucy, mas já mostra pegadas humanas relativamente modernas, o que é mais congruente com essa nova evidência quando observada sem distorção: Uma evolução darwiniana gradual, ou uma origem abrupta que requer um design inteligente? 
Outra óbvia e aparentemente difícil questão é como tais animais bípedes, hominídeos ou símios, poderiam ter chegado à ilha de Creta. Entretanto, neste caso pode haver de fato uma solução elegante: exatamente no tempo geológico quando se originaram as pegadas, Creta era conectada ao continente grego, já que o Mar Mediterrâneo havia em grande parte evaporado durante um evento, já mencionado, que é chamado de Crise de Salinidade Messiniana (5,96-5,33 milhões de anos atrás [sic]), causado pelo fechamento do Estreito de Gibraltar.
De maneira interessante, mais cedo neste ano, Fuss et al (2017) publicou um artigo no jornal PLOS ONE que propunha afinidades hominídeas do Graecopithecus (também chamado “El Graeco”) do período Mioceno tardio (cerca de 7,2 milhões de anos atrás [sic]) da Grécia e Bulgária. Existem apenas alguns fragmentos de mandíbulas, mas alega-se que essas permitem a atribuição do El Graeco à linhagem humana. A conclusão se baseia nas pequenas raízes dos dentes caninos, sugerindo semelhança dos tamanhos reduzidos como em hominídeos, assim como a fusão das raízes dos dentes pré-molares, que é típica em hominídeos, mas muito rara em chimpanzés modernos. Se essa atribuição estiver correta, isso faria do Graecopithecus o mais antigo hominídeo conhecido, e o possível ancestral do hominídeo que produziu as pegadas de Trachilos em Creta (Ahlberg & Bennett 2017, Gierlinski et al 2017). Fuss et al sugere que a separação entre chimpanzés e humanos pode ter ocorrido há cerca de 8 milhões de anos no Sudoeste da Europa ao invés de na África. Ainda que essa hipótese de forma alguma contradiga a ideia de uma evolução darwiniana dos humanos, ela atacou o estimado consenso científico da história “Fora da África”, o que claramente gerou forte criticismo dessas ideias “heréticas” (Barras 2017b, Curnoe 2017).
De forma não surpreendente, tal criticismo não se restringiu aos argumentos técnicos, mas se estendeu a ataques ad hominem ao caráter dos pesquisadores. Por exemplo, David Alba, do Instituto de Paleontologia Catalão em Barcelona, disse que o coautor do estudo David Begun tem arguido há vinte anos que os grandes símios primeiro apareceram na Europa, então “não é nem um pouco surpreendente que Begun está agora arguindo que hominídeos também se originaram na Europa” (Barras 2017b). “Sergio Almécija, da Universidade George Washington, afirma que é importante lembrar que primatas são particularmente propensos a evoluir características similares de forma independente. ‘Indivíduos únicos não são confiáveis para se fazer grandes [afirmações] evolucionárias’” (Barras 2017b). É interessante que esse último argumento é raramente utilizado por paleontologistas para se questionar a atribuição dos supostos hominídeos africanos como Lucy à linhagem humana. Aparentemente, evidências questionáveis são aceitas desde que concordem com a preferida narrativa evolucionária.
É revelador que o título do novo artigo seja seguido por um ponto de interrogação, já que os autores não possuem outras razões para serem céticos sobre sua descoberta além da idade e localização geográfica inconvenientes das pegadas fossilizadas. Isso é de fato admitido pelo último autor do estudo, o distinto paleontologista Per Ahlberg, da Universidade Uppsala, que afirma que “o que torna isso controverso é a idade e a localização das pegadas... Essa descoberta desafia a contrária narrativa estabelecida do início da evolução humana e é provável que gere muito debate (Uppsala Universit 2017).
Já está se tornando evidente que muitos evolucionistas tentarão se livrar dessa evidência fortemente conflitante ao considerarem que essas pegadas foram feitas por um símio Europeu do Mioceno, o que convergentemente evoluiu uma locomoção bípede. Isso apesar de as próprias pegadas fossilizadas não sugerirem nenhuma diferença dos rastros humanos que possa suportar a legitimação de tal hipótese (Ahlberg & Bennett 2017). Em qualquer evento, a origem independente (convergente) de estruturas similares é um fenômeno muito comum na história da vida, o que é completamente inesperado se a evolução darwiniana fosse verdade. Dessa forma, tal hipótese de convergência criaria outro problema neste caso particular: existem apenas alguns personagens que possibilitam a atribuição dos mais antigos fósseis hominídeos à linhagem humana, como pequenos dentes caninos e adaptações para locomoção bípede. No entanto, se a locomoção bípede evoluiu diversas vezes entre símios não relacionados, o que também pode ser sugerido pelo Oreopithecus bambolii do Mioceno tardio da Itália (Rook et al 1999; veja Russo & Shapiro 2013), então um dos mais robustos complexos de personagens (ou árvore de indivíduos) perde muito de sua força.
Devido ao fato de que as árvores evolucionárias são construídas com apenas alguns personagens, os quais apresentam fraca sustentação devido à distribuição incongruente (homoplástica), essas árvores não justificam as frequentes afirmações inflamadas a respeito de as supostas linhagens bem estabelecidas dos fósseis hominídeos intermediários estarem fechando o elo entre chimpanzés e humanos modernos. Na melhor das hipóteses, após as dramáticas experiências das descobertas de 2017, os paleontólogos deveriam ser mais humildes e admitir que sabemos muito menos do que pensávamos e que o que sabemos é muito menos preciso do que ainda é ensinado a pupilos e estudantes, bem como apresentado ao público em geral por popularizadores de ciência na mídia. A evolução humana ainda é um campo altamente controverso, e com base no grande número de dados estudados com os mais modernos métodos, isso deve ser suficiente motivo para uma pausa.
Tarlach (2017b) comenta que “em um ano em que aprendemos que nossa espécie é pelo menos duas vezes mais antiga do que pensávamos, e alguns pesquisadores afirmaram que hominídeos estavam nas Américas mais de 100.000 anos antes da data convencionada da chegada, bem, pode-se esperar de tudo”. Bem, “tudo” claramente se refere apenas a qualquer coisa que não questione o paradigma darwiniano das origens humanas como são, mesmo quando mais e mais evidências contrárias a isso se acumulam.
Mas 2017 ainda não acabou. Talvez mais surpresas estejam adiante.

(Günter Bechly, Evolution News and Science Today; tradução de Leonardo Serafim)

Referências:
Ahlberg P, Bennett MR 2017. Our controversial footprint discovery suggests human-like creatures may have roamed Crete nearly 6m years ago. The Conversation August 31, 2017.
Argue D, Groves CP, Lee MSY, Jungers WL 2017. The affinities of Homo floresiensisbased on phylogenetic analyses of cranial, dental, and postcranial characters. Journal of Human Evolution 107: 107-33.
Australian National University 2017. Origins of Indonesian Hobbits finally revealed. Science Daily April 21, 2017.
Barras C 2017a. Homo naledi is only 250,000 years old — here’s why that matters. New Scientist 25 April 2017.
Barras C 2017b. Our common ancestor with chimps may be from Europe, not Africa. New Scientist 22 May 2017.
Curnoe D 2017. Did humans evolve in Europe rather than Africa? We don’t have the answer just yet. The Conversation May 23, 2017.
Dirks PHGM et al. 2017. The age of Homo naledi and associated sediments in the Rising Star Cave, South Africa. eLife 2017;6:e24231.
Evolution News 2017. Science Magazine: Australopithecus sediba “Ousted from the Human Family.” Evolution News April 25, 2017.
Fuss J, Spassov N, Begun DR, Böhme M 2017. Potential hominin affinities of Graecopithecus from the Late Miocene of Europe. PLOS ONE.
Gibbons A 2017. A famous “ancestor” may be ousted from the human family. Science April 23, 2017.
Gierlinski GD et al. 2017. Possible hominin footprints from the late Miocene (c. 5.7 Ma) of Crete? Proceedings of the Geologist’s Association.
Greshko M 2017. Humans in California 130,000 Years Ago? Get the Facts. National Geographic April 26, 2017.
Holen SR et al. 2017. A 130,000-year-old archaeological site in southern California, USA. Nature 544: 479-83.
Hublin J-J et al. 2017. New fossils from Jebel Irhoud, Morocco and the pan-African origin of Homo sapiens. Nature 546: 289-92.
Newitz A 2017. 300,000 year-old “early Homo sapiens” sparks debate over evolution. Ars TechnicaJune 11, 2017.
Richter D et al. 2017. The age of the hominin fossils from Jebel Irhoud, Morocco, and the origins of the Middle Stone Age. Nature 546: 293-96.
Rook L, Bondioli L, Köhler M, Moyà-Solà S, Macchiarelli R 1999. Oreopithecus was a bipedal ape after all: evidence from the iliac cancellous architecture. PNAS 96(15): 8795-9.
Russo GA, Shapiro LJ 2013. Reevaluation of the lumbosacral region of Oreopithecus bambolii. Journal of Human Evolution 65(3): 253-65.
Sample I 2017. Oldest Homo sapiens bones ever found shake foundations of the human story. The Guardian June 7, 2017.
Tarlach G 2017a. Meet The New Oldest Homo Sapiens — Our Species Evolved Much Earlier Than Thought. Discover Magazine June 7, 2017.
Tarlach G 2017b. What Made These Footprints 5.7 Million Years Ago? Discover Magazine September 1, 2017.
Uppsala Universitet 2017. Fossil footprints challenge established theories of human evolution. Press release 2017-08-31.
Pegadas fossilizadas de Creta aprofundam controvérsia sobre as origens
Marcos 16:15