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Três perguntas a se fazer antes de compartilhar conteúdo
Postado em 12 de Janeiro de 2017
Um dos vilões da saúde mental é o grande volume de informação ao qual temos acesso apenas com a ponta do dedo. Para ter uma ideia da enxurrada de informações que inundam nosso cérebro e sobrecarrega nossa mente, trazendo estresse e outras enfermidades psíquicas, apensas uma edição atual de um jornal como o New York Times “contém mais informação do que uma pessoa comum poderia receber durante toda a vida na Inglaterra do século XVII”![1]
Além de nossa saúde ser afetada pelo excesso de informação, somos afetados pela quantidade absurda de conteúdo de baixa qualidade, incluindo os boatos “religiosos” que não trazem crescimento espiritual e não aproximam a pessoa de Jesus Cristo.
Por isso, precisamos ser criteriosos e inteligentes para não ficarmos sobrecarregados, doentes, perdidos e distraídos neste mar de informações. Necessitamos de “faróis” que indiquem o caminho certo na escolha de conteúdo que esteja relacionado com o que é verdade divina (para um conceito de “verdade”, leia João 14:6) e que formem pessoas sábias e capazes de fazer a diferença no mundo.
Quando for comunicar e compartilhar alguma informação religiosa e espiritual em suas redes sociais, sugerimos que faça três perguntas a si mesmo que poderão servir de faróis e ao mesmo tempo lhe nortear, a fim de que faça uso sábio da internet.
Pergunte-se: É um assunto bíblico? Motiva as pessoas a terem mais contato com a Bíblia? Exalta princípios e motiva as pessoas a crescerem?
É UM ASSUNTO BÍBLICO?
O foco sempre deve ser a Bíblia, revelação especial de Deus ao ser humano a respeito de Seu amor e plano de salvação (2Tm 3:16, 17; Jo 17:17; 2Pe 1:19-21). Portanto, se o que você leu (ou estudou) é baseado nas Escrituras, compartilhe!
Antes, tenha certeza de que o conteúdo é realmente bíblico, aprendido através dos métodos corretos de estudo e interpretação da Bíblia. Do contrário, a débil palavra do homem estará sendo compartilhada, não a poderosa e transformadora Palavra de Deus.
Estou (eu, Leandro) preparando um curso sobre interpretação bíblica e pretendo disponibilizar em breve, pois vejo a necessidade urgente de cristãos leigos também usarem as ferramentas hermenêuticas disponíveis, para que saibam como deixar a Bíblia ser sua própria intérprete.
Se você não comunicar algo que realmente seja ensinado pela Bíblia, não estará sendo um agente de Cristo para levar luz à vida dos outros. Portanto, não esqueça: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva” (Is 8:20).
Esse texto mostra que as pessoas só podem ser iluminadas verdadeiramente se tiverem contato com as Escrituras.
MOTIVA AS PESSOAS A TEREM MAIS CONTATO COM A BÍBLIA?
Também os livros apocalípticos da Bíblia – Daniel e Apocalipse – quando devidamente compreendidos, além de trazerem luz para nossa vida (2Pe 1:19), nos ajudam a sabermos em que momento da história nos encontramos: os momentos finais que antecedem a volta de Jesus Cristo (Dn 12:4; Mt 24:14; Lc 21:28). Consequentemente, seremos mais fervorosos e investiremos em nossa relação com Deus, aguardando com alegria o retorno do Senhor (2Pe 3:9-13).
Porém, infelizmente há “interpretações” que fogem do propósito bíblico de exaltar a Cristo como o centro da revelação bíblica e profética (veja Jo 5:46, 47), e que não motivam as pessoas a estudarem de verdade a Bíblia, muito menos a se interessaram pelos livros de Daniel e Apocalipse. Por exemplo:
a) A interpretação de que a soma dos valores numéricos do título latim “Vicarius Fillii Dei” (“Vigário do Filho de Deus”), supostamente presente na tiara papal, dá o 666 de Apocalipse 13:18.
Isso é uma tremenda bobagem por que: (1) o apóstolo João não escreveu o Apocalipse em latim, mas em grego koinê. Que base linguística, exegética e teológica existe para relacionar uma expressão latim com um texto grego? Nenhuma; (2) A gematria (método “hermenêutico” de analisar palavras e atribuir valores numéricos a elas) não fazia parte dos recursos hermenêuticos (interpretativos) dos apóstolos; (3) Mesmo que tenhamos provas históricas de sobra para relacionarmos o papado a Daniel 7 e Apocalipse 13 (os sinceros e devotos irmãos Católicos nada têm a ver com isso), sabe-se que nunca um papa usou em sua tiara o título “Vicarius Fillii Dei”.
b) A ideia de que o jogo de basquete e a cesta estão relacionados a um ritual pagão – uma tremenda barbaridade!
c) A crença de que a celebração do Natal teve origem com Ninrode, um personagem bíblico (Gn 10:8-12) – outro absurdo.
d) A “informação” de que a logo da Volkswagen é “satânico” – nada a ver.
E por aí vai.
Nada disso é bíblico, provável e muito menos verdadeiro. Não podemos adicionar essas espécies de “temperos” (indigestos) à nossa mensagem. Precisamos ensinar a Bíblia como ela é e nos perguntarmos: posso provar biblicamente tal conteúdo que pretendo compartilhar? Ele exalta a pessoa de Cristo e leva os outros a sentirem mais vontade de conhecerem a Deus? Possui algum fundamento histórico e/ou arqueológico?
Nossa mensagem não precisa desses aditivos falsos! Esse tipo de informação infundada e alarmista distrai as pessoas e desvia-as do estudo bíblico sério. Repassando-as, não estaremos sendo instrumentos de Deus para a promoção da verdade, mas veículos do Diabo para desviar a atenção dos outros para aquilo que não possui relevância no conhecimento de Cristo e no preparo para Sua segunda vinda.
O apóstolo Paulo escreveu:
“Recomenda estas coisas. Dá testemunho solene a todos perante Deus, para que evitem contendas de palavras que para nada aproveitam, exceto para a subversão dos ouvintes. Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. Evita, igualmente, os falatórios inúteis e profanos, pois os que deles usam passarão a impiedade ainda maior” (2Tm 2:14-16. Grifos acrescidos).
“Evita discussões insensatas, genealogias, contendas e debates sobre a lei; porque não têm utilidade e são fúteis” (Tt 3:9. Grifo acrescido).
Por sua vez, Ellen G. White advertiu:
“Alguns que, nos tempos de Paulo, ouviam a verdade, levantavam questões que não eram de importância vital, apresentando as ideias e opiniões dos homens, e buscando desviar a mente do mestre das grandes verdades do evangelho, para discussões de doutrinas não essenciais, e solução de disputas sem importância. Paulo sabia que o obreiro de Deus deve ser bastante sábio para descobrir o desígnio do inimigo, e recusar-se a ser desviado. A conversão de almas deve ser a preocupação de seu trabalho; deve pregar a Palavra de Deus, mas evitar disputas. Os ministros de Cristo hoje em dia acham-se no mesmo perigo. Satanás está operando continuamente para desviar-lhes a mente para direções errôneas, de maneira que a verdade perca sua força sobre o coração. E a menos que os pastores e o povo observem a verdade e sejam santificados por ela, permitirão que questões que não têm importância vital lhes ocupem a mente. Isso levará a enganos e disputas; pois inúmeros pontos de discórdia se hão de erguer”.[2]
EXALTA PRINCÍPIOS E MOTIVA AS PESSOAS A CRESCEREM?
Muitos assuntos que não são necessariamente bíblicos podem e devem ser estudados e compartilhados. Filipenses 4:8 é um texto que serve como crivo na hora de escolher um conteúdo a ser transmitido aos outros:
“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento”.
Há muitos temas que se enquadram nos princípios desse verso bíblico: artigos ou notícias científicas, dicas de saúde, sugestões de leituras, ensinamentos da área da psicologia, frases e pensamentos de bons filósofos, dicas de empreendedorismo, administração de finanças, administração do tempo, e principalmente do lar. Há tanta coisa útil! Compartilhe!
Não podemos adotar a postura de muitos veículos de comunicação que, para sobreviverem, espalham lixo apenas para “entreter” as massas e anestesiá-las para a realidade da vida. Em hipótese alguma um cristão conhecedor das Escrituras deve contribuir para a promoção da “cultura burra”.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Precisamos levar as pessoas à Bíblia para que conheçam a verdade e sejam transformadas. Devemos compartilhar em nossas redes sociais esperança e conteúdo de relevância que inspire os outros a um estudo mais profundo da Palavra, e desperte neles o desejo de se preparar para a volta de Jesus Cristo em glória e majestade (cf. Mt 25:30, 31; Ap 1:7; 22:20).
Até mesmo assuntos que não são bíblicos, porém, verdadeiros, podem servir de pontes para levar as pessoas a Deus e incentivá-las a crescerem e a se tornarem ainda mais úteis à sociedade.
Por tanto, descarte todo tipo de mensagem que não seja bíblica, verdadeira e nem motive os outros a estudar mais a Palavra de Deus.
Não estamos dizendo que você não deva ser bem-humorado! Há coisas legais e engraçadas que podem arrancar boas gargalhadas das pessoas. Compartilhe-as também!
Lembre-se que como cristãos, nossa grande missão deixada por Jesus é: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28:19).
Portanto, precisamos pregar em nossas redes sociais, apresentar a Cristo como o centro da nossa mensagem (1Co 2:1-5) e exaltar aquilo que é bom, verdadeiro, fundamentado, que leva à reflexão profunda e traz conhecimento, cultura e (por que não?) alegria.

REFERÊNCIAS
[1] Disponível em: http://www.unesp.br/proex/opiniao/veja2.htm (Acessado em 07 de janeiro de 2017).
[2] Ellen G. White, Obreiros Evangélicos, p. 311, 312. Grifos acrescidos.
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