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          Marcos 16:15
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Marcos 16:15
Lição da Escola Sabatina
 
Da cova dos leões à cova do anjo
VERSO PARA MEMORIZAR: “Então, os presidentes e os sátrapas procuravam ocasião para acusar a Daniel a respeito do reino; mas não puderam achá-la, nem culpa alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa” (Dn 6:4).

LEITURAS DA SEMANA: Dn 6; 1Sm 18:6-9; Mt 6:6; At 5:27-32; Mc 6:14-29; Hb 11:35-38

Depois que os medo-persas tomaram Babilônia, Dario, o medo, reconheceu a sabedoria de Daniel e o convidou para fazer parte do novo governo. O profeta idoso se destacou tanto em seus deveres públicos que o novo rei o nomeou administrador-chefe de todo o governo medo-persa.
Contudo, Daniel enfrentou o resultado do que poderíamos corretamente chamar de “pecado original supremo” – a inveja. Entretanto, ele foi fiel não apenas aos seus deveres seculares sob o governo dos medo-persas, mas acima de tudo, ao seu Deus. Além disso, podemos ter a certeza de que, em grande medida, sua fidelidade a Deus também influenciou diretamente sua lealdade em outras áreas.
A experiência de Daniel com a perseguição serve como paradigma para o povo de Deus no tempo do fim. A História não sugere que Seu povo será poupado das provações e sofrimentos. O que ela garante é que, no conflito contra o mal, o bem acabará vencendo, e Deus finalmente vindicará Seu povo.
Sábado à tarde
Domingo
Pessoas invejosas

Mesmo no Céu, um ambiente perfeito, Lúcifer teve inveja de Cristo. “Lúcifer ficou invejoso e enciumado de Jesus Cristo. Todavia, quando todos os anjos se curvaram diante de Jesus reconhecendo Sua supremacia e alta autoridade e direito de governar, ele curvou-se com eles, mas seu coração estava cheio de inveja e rancor” (Ellen G. White, História da Redenção, p. 14). Abrigar o sentimento de inveja é tão perigoso que, nos Dez Mandamentos, juntamente com a proibição do assassinato e do furto, há o mandamento contra a cobiça (veja Êx 20:17).

1. Leia Daniel 6:1-5; Gênesis 37:11 e 1 Samuel 18:6-9. Qual foi a função da inveja em todas essas histórias? Assinale a alternativa correta:
A. (  ) A inveja colocou homens de Deus no poder.
B. (  ) A inveja trouxe destruição e inimizade entre pessoas e líderes.

As habilidades administrativas de Daniel impressionaram o rei, mas provocaram inveja em outros oficiais. Portanto, eles conspiraram para se livrarem de Daniel, acusando-o de corrupção. Todavia, por mais que tivessem procurado, não encontraram falhas na administração de Daniel. “Os presidentes e os sátrapas procuravam ocasião para acusar a Daniel a respeito do reino; mas não puderam achá-la, nem culpa alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa” (Dn 6:4). A palavra aramaica traduzida como “fiel” também pode ser traduzida como “digno de confiança”.
Daniel era irrepreensível; não havia nada que os oficiais pudessem fazer para levantar uma acusação contra ele. Porém, eles também perceberam como Daniel era fiel ao seu Deus e obediente à Sua Lei. Portanto, entenderam que, para incriminar Daniel, teriam que produzir uma situação na qual o profeta fosse confrontado com o dilema de obedecer à Lei de Deus ou à lei do império. Em virtude do que os oficiais haviam descoberto sobre o servo de Deus, eles estavam absolutamente convencidos de que, sob condições convenientes, se houvesse um conflito entre a Lei de Deus e a lei do império, Daniel se posicionaria ao lado da Lei de Deus. Que testemunho da fidelidade desse homem!

Você já teve que lidar com a inveja? Como reagiu a ela? Por que esse é um pecado espiritual tão mortal e incapacitante?
Ano Bíblico: Lv 23-25
Ano Bíblico: Lv 20-22
Segunda-feira
A trama contra Daniel

2. Leia Daniel 6:6-9. Qual era o pensamento por trás do decreto? Como ele explorava a vaidade do rei?

Dario foi tolo ao promulgar um decreto que ele logo desejou revogar. Ele caiu na armadilha dos oficiais, que foram espertos o suficiente para jogar com as circunstâncias políticas do reino recém-estabelecido. Dario havia descentralizado o governo e estabelecido cento e vinte sátrapas para tornar a administração mais eficiente. Porém, essa ação acarretava riscos em longo prazo. Um governador influente poderia facilmente promover uma rebelião e dividir o reino. Portanto, uma lei forçando todos a fazer petições apenas ao rei durante trinta dias parecia uma boa estratégia para promover a lealdade ao monarca e, assim, impedir qualquer tipo de revolta. Mas os oficiais enganaram Dario, alegando que essa proposta tinha o apoio de “todos” os governadores, administradores, sátrapas e conselheiros – uma evidente imprecisão, uma vez que Daniel não estava incluído. Além disso, a perspectiva de ser tratado como deus pode ter sido atraente para o rei.
Não há evidência de que os reis persas tivessem reivindicado status divino. No entanto, o decreto pode ter sido planejado para tornar o rei o único representante dos deuses durante trinta dias; isto é, as orações aos deuses tinham que ser oferecidas por meio dele. Infelizmente, o rei não investigou as motivações por trás da proposta. Assim, ele não conseguiu perceber que a lei que supostamente impediria uma conspiração foi, em si, uma conspiração para prejudicar Daniel.
Dois aspectos dessa lei merecem atenção. Primeiramente, a punição ao transgressor era ser lançado na cova dos leões. Como esse tipo de castigo não foi atestado em nenhum outro lugar, ele pode ter sido uma sugestão dos inimigos de Daniel para essa situação específica. Antigos monarcas do Oriente Próximo colocavam leões em jaulas a fim de libertá-los em certas ocasiões para caçar. Portanto, não faltariam leões para despedaçar quem ousasse transgredir o decreto do rei. Em segundo lugar, o decreto não podia ser alterado. A natureza imutável da “lei dos persas e medos” também é mencionada em Ester 1:19 e 8:8. Diodorus Siculus, um antigo historiador grego, mencionou uma ocasião em que Dario III (que não deve ser confundido com o Dario mencionado em Daniel) mudou de ideia, mas não conseguiu mais revogar uma sentença de morte que havia decretado contra um inocente.
Terça-feira
A oração de Daniel

“Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt 6:6).

3. Leia Daniel 6:10. Por que Daniel simplesmente não orou de uma forma que ninguém o visse? Assinale a alternativa correta:
A. (  ) Porque queria se exibir para os oficiais.
B. (  ) Embora fosse discreto, ele não podia negar sua fé e sua confiança em Deus.

Daniel era um estadista experiente, mas, acima de tudo, era servo de Deus. Sendo assim, ele era o único membro do governo que entendia o que estava por trás do decreto do rei. Para Dario, essa ordem representava uma oportunidade para fortalecer a unidade do reino, mas para os conspiradores era uma estratégia para se livrarem de Daniel.
Evidentemente, as verdadeiras causas e os motivos por trás da conspiração residiam na batalha cósmica entre Deus e as forças do mal. Naquela ocasião (539 a.C.), o profeta já havia recebido as visões registradas em Daniel 7 (553 a.C.) e 8 (551 a.C.). Portanto, ele entendia o decreto real não como uma questão de mera política humana, mas como um exemplo dessa guerra cósmica. A visão do Filho do Homem entregando o reino ao povo do Altíssimo e o auxílio animador do anjo intérprete (Dn 7) podem ter lhe dado coragem para enfrentar a crise com determinação. Ele também pode ter refletido sobre a experiência de seus companheiros, que tinham sido corajosos o suficiente para desafiar o decreto de Nabucodonosor (Dn 3).
Portanto, ele não mudou seus hábitos devocionais, mas continuou sua costumeira  prática de orar três vezes por dia em direção a Jerusalém. Apesar da proibição de fazer petições a qualquer homem ou deus, exceto ao rei, Daniel também não tomou precauções para esconder nem disfarçar sua vida de oração durante aqueles trinta dias críticos. Ele era uma minoria absoluta, já que era o único, entre dezenas de governadores e outros oficiais, contrariando o decreto real. Contudo, mediante sua aberta vida de oração, ele demonstrou que a lealdade que devia a Deus vinha antes de sua lealdade ao rei e a seu decreto irrevogável.

Leia Atos 5:27-32. Embora a admoestação seja clara nesse texto, quando agimos em oposição à lei humana, por que devemos estar sempre certos de que estamos fazendo verdadeiramente a vontade de Deus?
Ano Bíblico: Nm 1-3

Quarta-feira
Na cova dos leões

4. Leia Daniel 6:11-23. O que o rei disse a Daniel revelando que o profeta era uma poderosa e fiel testemunha de Deus?

Os conspiradores logo avistaram Daniel orando – isto é, fazendo exatamente o que o decreto proibia. E ao trazerem a acusação perante o rei, eles se referiram a Daniel de maneira humilhante: “Esse Daniel, que é dos exilados de Judá” (Dn 6:13). Aos olhos deles, um dos principais oficiais do império, o favorito do rei, não passava de um “cativo”. Além disso, eles colocaram Daniel contra o rei dizendo que o profeta não demonstrava a devida consideração pelo rei nem pelo decreto que ele tinha assinado. Então, Dario percebeu que havia sido ludibriado ao assinar o decreto. O texto afirma que “até ao pôr-do-sol” o rei “se empenhou por salvá-lo” (Dn 6:14). Mas tudo o que ele fez não pôde salvar o profeta do castigo prescrito. A lei irrevogável dos medos e persas devia ser aplicada à risca. Assim, embora com relutância, o rei deu a ordem para jogar Daniel aos leões. Mas ao fazê-lo, Dario expressou uma vaga esperança, que soou como uma oração: “O teu Deus, a quem tu continuamente serves, que Ele te livre” (Dn 6:16).
O texto bíblico não declara o que Daniel fez no meio dos leões, mas pode-se supor que ele estivesse orando. E Deus honrou a fé de Daniel enviando Seu anjo para protegê-lo. Pela manhã, Daniel continuava ileso e pronto para retomar suas atividades no governo. Comentando sobre esse episódio, Ellen G. White afirmou: “Deus não impediu que os inimigos de Daniel o lançassem na cova dos leões; Ele permitiu que anjos maus e homens ímpios chegassem a realizar seu propósito; mas isso foi para que pudesse tornar o livramento do Seu servo mais marcante e mais completa a derrota dos inimigos da verdade e da justiça” (Profetas e Reis, p. 543, 544).

Embora essa história tenha revelado um final feliz (pelo menos para Daniel), o que dizer dos relatos da Bíblia e de outras fontes que não terminaram em livramento nesta Terra? (Veja, por exemplo, Marcos 6:14-29.) Como devemos compreendê-los?
Ano Bíblico: Nm 4-6
Quinta-feira
Vindicação

5. Leia Daniel 6:24-28. Que testemunho o rei deu sobre Deus?

Um ponto importante da narrativa é o fato de Dario ter louvado a Deus e reconhecido Sua soberania. Isso é uma culminação, até mesmo um clímax, dos louvores ou expressões de reconhecimento oferecidos a Ele nos capítulos anteriores (Dn 2:20-23; 3:28, 29; 4:1-3, 34-37). Como Nabucodonosor, Dario respondeu ao livramento de Daniel louvando o Senhor. Mas ele também fez mais: o rei reverteu seu decreto anterior e ordenou a todos que tremessem e temessem “perante o Deus de Daniel” (Dn 6:26).
O profeta foi miraculosamente salvo, sua fidelidade foi recompensada, o mal foi punido e a honra e o poder de Deus foram vindicados. Vemos aqui um pequeno exemplo do que ocorrerá em escala universal: o povo de Deus terá livramento, o mal será punido, e o Senhor será vindicado perante o Universo.

6. Leia Daniel 6:24. O que é um tanto problemático nesse verso? Por quê?

No entanto, há um problema perturbador: as esposas e os filhos que, até onde sabemos, eram inocentes e, contudo, sofreram o mesmo destino dos culpados. Como podemos explicar o que parece ser um mau uso da justiça?
Primeiramente, devemos notar que a ação foi decidida e implementada pelo rei de acordo com a lei persa, que incluía a família na punição do culpado. De acordo com um princípio antigo, toda a família era responsável pela transgressão de um membro da família. Isso não significa que essa prática esteja certa; significa apenas que o relato se encaixa com o que sabemos sobre a lei persa.
Em segundo lugar, devemos observar que a narrativa bíblica relata o evento, mas não endossa a ação do rei. De fato, a Bíblia proíbe claramente que os filhos sejam mortos por causa dos pecados dos pais (Dt 24:16).

Diante de injustiças como essa e tantas outras, como você pode obter conforto de ­textos como 1 Coríntios 4:5? O que esse texto afirma, e por que o argumento que ele defende é tão importante?
Ano Bíblico: Nm 7, 8
Sexta-feira
Estudo adicional

O livramento de Daniel foi registrado em Hebreus 11. O capítulo que pode ser chamado de “Galeria dos Famosos da Fé” afirma que os profetas, entre outras realizações, “fecharam a boca de leões” (Hb 11:33). Isso é maravilhoso, mas devemos ter em mente que os heróis da fé não são apenas aqueles que escaparam da morte como Daniel, mas também aqueles que sofreram e morreram corajosamente, como Hebreus 11 também observa. Deus chama alguns para testemunhar por meio de sua vida, e outros, por meio de sua morte. Portanto, a narrativa do livramento de Daniel não sugere que essa libertação seja concedida a todos, como aprendemos com a multidão de homens e mulheres que foram mártires por causa de sua fé em Jesus. Contudo, o livramento miraculoso de Daniel mostra que Deus governa e, por fim, livrará todos os Seus filhos do poder do pecado e da morte. Isso fica claro nos próximos capítulos de Daniel.

Perguntas para discussão
1. O francês Jean Paul Sartre escreveu: “A melhor maneira de conceber o projeto fundamental da realidade humana é dizer que o homem é o ser cujo projeto é ser Deus” (Jean Paul Sartre, Being and Nothingness: A Phenomenological Essay on Ontolgy [O Ser e o Nada: Um Ensaio Fenomenológico sobre Ontologia]. Washington Square Press, 1956, p. 724). Como isso nos ajuda a entender, pelo menos em certo nível, por que o rei caiu na armadilha? Por que devemos, em qualquer condição na vida, evitar essa inclinação perigosa, por mais sutil que ela seja? De que maneira podemos desejar ser “como Deus”?
2. Que testemunho apresentamos aos outros em relação à nossa fidelidade a Deus e à Sua Lei? As pessoas que nos conhecem pensam que defenderíamos nossa fé, mesmo que isso nos custasse o emprego ou até mesmo a vida?
3. Quais qualidades fizeram de Daniel alguém que Deus pôde usar efetivamente para Seus propósitos? Com a ajuda do Senhor, como você pode desenvolver mais das mesmas características?
4. Daniel estaria justificado se decidisse, à luz do decreto, mudar a maneira de orar? Ou isso teria sido uma transigência perigosa? Por quê?
Ano Bíblico: Nm 9-11
Ano Bíblico: Lv 26, 27