" Ide por todo o mundo e pregai o evangelho
          Marcos 16:15
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Marcos 16:15
Lição da Escola Sabatina
 
Prisão de Paulo em Jerusalém
VERSO PARA MEMORIZAR: “Na noite seguinte, o Senhor, pondo-Se ao lado dele, disse: Coragem! Pois do modo por que deste testemunho a Meu respeito em Jerusalém, assim importa que também o faças em Roma” (At 23:11).

LEITURAS DA SEMANA: At 21; 22; 23:1-30; Rm 2:28, 29; Gl 5:6; Mt 22:23-32

Depois da primeira viagem missionária de Paulo, ficou claro que havia uma discordância fundamental na igreja a respeito da maneira pela qual os gentios deveriam ser admitidos à fé (At 15:1-5). Talvez percebendo um conflito crescente, Paulo pensou em um plano para promover a unidade na igreja. Visto que no concílio lhe pediram que se lembrasse dos pobres (Gl 2:10), ele decidiu solicitar às igrejas gentílicas que prestassem ajuda financeira aos irmãos na Judeia, a “coleta para os santos” (1Co 16:1), esperando que isso ajudasse a construir pontes entre os dois grupos.
Isso explica sua determinação de ir a Jerusalém no fim de sua terceira viagem, apesar dos riscos. Por um lado, ele tinha amor genuíno por seus irmãos judeus (Rm 9:1-5); por outro, desejava uma igreja unida (Gl 3:28; 5:6). Visto que judeus e gentios eram igualmente salvos pela fé, e não pelas obras da lei (Rm 3:28-30), qualquer alienação social entre eles, baseada nos requisitos cerimoniais da lei, era contrária à natureza inclusiva do evangelho (Ef 2:11-22).
Sigamos Paulo nessa nova fase de sua vida e missão.
Sábado à tarde
Domingo
Encontrando os líderes de Jerusalém

Ao chegar a Jerusalém, Paulo foi calorosamente recebido por cristãos ligados a Mnasom, com quem devia se hospedar (At 21:16, 17).
Em Atos 21:18-22, Tiago e os anciãos de Jerusalém expressaram sua preocupação com a reputação de Paulo entre os cristãos judeus locais, todos zelosos guardadores da lei mosaica. Eles haviam sido informados de que Paulo estava ensinando os judeus conversos que viviam no exterior a abandonar Moisés, dizendo-lhes que não deviam “circuncidar os filhos, nem andar segundo os costumes da lei” (At 21:21).
É claro que isso não era verdade. O que Paulo ensinava era que, em termos de salvação, nem a circuncisão nem a incircuncisão significava coisa alguma, pois tanto os judeus quanto os gentios eram igualmente salvos pela fé em Jesus (Rm 2:28, 29; Gl 5:6; Cl 3:11). Isso é bem diferente de incentivar explicitamente os judeus a desconsiderar a lei e seus requisitos. Obediência não é, em si mesma, sinônimo de legalismo, embora possa ser deliberadamente distorcida, vindo a significar exatamente isso.

1. Leia Atos 21:23-26. Como Paulo demonstrou que ainda era um judeu fiel?

Paulo foi aconselhado a ser politicamente correto. Ele devia mostrar a falsidade dos rumores a seu respeito fazendo algo bem “judeu”: financiar o voto de nazireado de alguns cristãos judeus. Esse voto era um ato especial de piedade por meio do qual um judeu se reconsagrava a Deus.
Infelizmente, Paulo cedeu. Os heróis, inclusive os bíblicos, têm suas falhas, como podemos ver na vida de Abraão, Moisés, Pedro e vários outros. É possível argumentar que Paulo estava apenas seguindo seu princípio de proceder como judeu ao lidar com judeus (1Co 9:19-23), ou que ele mesmo teria feito um voto pouco antes (At 18:18), embora a natureza exata desse voto não seja clara. Dessa vez, no entanto, Paulo foi transigente. Sua ação endossou as motivações legalistas por trás da recomendação que lhe fora feita. A implicação de sua atitude era exatamente aquela que ele tentava vigorosamente combater: a ideia de que havia dois evangelhos, um para gentios, de salvação pela fé, e outro para judeus, de salvação pelas obras. Paulo, porém, “não estava autorizado por Deus para ceder tanto quanto pediam” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 405).


Ano Bíblico: Ez 39–41
Ano Bíblico: Ez 36–38
Segunda-feira
Tumulto no templo

Tendo aceitado a sugestão dos líderes da igreja, Paulo precisou se submeter a um ritual de purificação de sete dias para participar da conclusão do voto daqueles homens (Nm 19:11-13). Ao mesmo tempo, a tradição judaica determinava que qualquer pessoa proveniente de terras gentílicas estava impura e não podia entrar no templo. Por essa razão, Paulo teve que se purificar antes de ir até os sacerdotes para avisá-los de seu processo de purificação relacionado aos nazireus (At 21:26).

2. Leia Atos 21:27-36. O que aconteceu com Paulo no final de seu período de sete dias de purificação? Assinale a alternativa correta:
A. (  ) Ele foi promovido a sacerdote.
B. (  ) Ele foi preso.

Seguiu-se um tumulto, causado por aqueles que incitaram a multidão contra Paulo, acusando-o de atacar os símbolos mais sagrados da religião judaica, e especialmente de ter profanado o templo. Visto que um dos companheiros de viagem de Paulo era um cristão gentio de Éfeso, chamado Trófimo (At 21:29), eles acharam que o apóstolo o havia introduzido no pátio interno do templo, onde só judeus podiam entrar. Se a acusação fosse legítima, Paulo seria culpado de um crime muito grave. Ao longo do muro que separava o pátio externo do interno, havia placas em grego e em latim advertindo os visitantes gentios a não avançarem, senão eles seriam pessoalmente responsáveis por sua própria morte.
“Pela lei judaica era crime punível com a morte uma pessoa incircuncisa entrar nos pátios internos do edifício sagrado. Paulo tinha sido visto na cidade em companhia de Trófimo, um efésio, e acharam que o tivesse trazido ao templo. Ele não havia feito isso; e, sendo ele mesmo judeu, seu ato de entrar no templo não era violação da lei. Mas, embora a acusação fosse completamente falsa, serviu para despertar o preconceito popular. E, à medida que o clamor aumentava e chegava aos pátios do templo, as multidões ali reunidas ficavam enfurecidas” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 407).
Quando a notícia do tumulto chegou à fortaleza romana que ficava junto ao templo, o comandante romano, Cláudio Lísias (At 21:31, 32; 23:26), veio com suas tropas e resgatou Paulo antes que a multidão o matasse.
Sendo alvo dos ataques, Paulo foi preso e atado com correntes enquanto o comandante tentava averiguar o que estava acontecendo. Diante dos gritos histéricos da multidão, ele ordenou que o apóstolo fosse recolhido à fortaleza.

Rumores falsos deram início a esse tumulto. Por que devemos ter muito cuidado com os rumores que ouvimos ou, pior ainda, espalhamos?
Terça-feira
Diante da multidão

Atos 21:37-40 conta o que aconteceu em seguida. Enquanto Paulo era levado à fortaleza romana para ser interrogado, ele pediu permissão ao comandante para se dirigir ao povo, que ainda estava clamando freneticamente por sua morte.
Ao se dirigir ao comandante na língua grega, este pensou que Paulo poderia ser um certo judeu do Egito que, cerca de três anos antes, havia iniciado uma revolta em Jerusalém contra a ocupação romana. A revolta, porém, foi suprimida pelas forças romanas; muitos de seus seguidores foram mortos ou presos, enquanto o egípcio mesmo conseguiu escapar.
Depois de afirmar que era de Tarso, não do Egito, Paulo recebeu permissão para falar. Em seu discurso, ele não ofereceu uma resposta detalhada às acusações levantadas contra ele (At 21:28), mas contou-lhes a história de sua conversão, destacando sua devoção ao judaísmo, a ponto de perseguir os que acreditavam em Jesus. Quando confrontado com uma série de revelações da parte do Senhor, ele não teve escolha senão obedecê-las. Isso explicava a total reviravolta em sua vida e seu chamado para pregar aos gentios. Em vez de entrar em uma discussão teológica, Paulo lhes contou sua experiência e por que ele estava fazendo o que fazia.

3. Leia Atos 22:22-29. Como a multidão reagiu à afirmação de Paulo de que ele era um apóstolo dos gentios? Assinale a alternativa correta:
A. (  ) Pediu a sua morte.
B. (  ) Convenceu-se de que a missão de Paulo havia sido dada por Deus.

A decisão de deixar Paulo falar não deu muito certo. Ao se referir ao seu compromisso com os gentios, Paulo parecia estar confirmando a veracidade das acusações contra ele (At 21:28), e a multidão ficou ainda mais irritada.
O comandante romano pode não ter entendido tudo o que Paulo disse; por isso, ele decidiu interrogá-lo por meio de açoites. Contudo, além de ser judeu de puro sangue (Fp 3:5), Paulo também tinha cidadania romana, e quando mencionou isso, o comandante teve que recuar. Como cidadão romano, Paulo não podia ser submetido a esse tipo de tortura.

4. Leia o discurso de Paulo (At 22:1-21). Quais são as evidências de que, além de se defender, ele também estava pregando para seus irmãos judeus? Por que ele contou sua história de conversão? Por que histórias de conversão podem ser tão poderosas?
Ano Bíblico: Ez 45–48
Quarta-feira
Perante o Sinédrio

Quando o comandante romano percebeu que Paulo não representava nenhuma ameaça para o império, isto é, que a questão envolvia disputas internas dos judeus, ele pediu para o Sinédrio assumir o caso (At 22:30; 23:29).

5. De acordo com Atos 23:1-5, como Paulo começou sua defesa perante o Sinédrio?

A declaração introdutória de Paulo foi recebida com uma bofetada na boca, talvez porque, como prisioneiro, sua referência a Deus parecia blasfema. Sua reação impulsiva nos dá um vislumbre de seu temperamento. Ao chamar o sumo sacerdote de “parede branqueada” (At 23:3), Paulo estava ecoando as palavras de Jesus, ao condenar a hipocrisia dos fariseus (Mt 23:27). No entanto, como Paulo não sabia que estava se dirigindo ao sumo sacerdote, a possibilidade de que ele tivesse uma visão ruim não deve ser descartada.

6. Leia Atos 23:6-10. Como Paulo tentou, engenhosamente, desestabilizar o processo? Complete as lacunas:
“Sabendo Paulo que uma parte do Sinédrio se compunha de ____________ e outra, de ___________, exclamou: Varões, irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseus! No tocante à esperança e à ________ dos mortos sou julgado!” (At 23:6).

O Sinédrio era composto de saduceus e fariseus que se opunham uns aos outros em uma série de questões; doutrina era uma delas. Os saduceus, por exemplo, cujas Escrituras incluíam apenas os primeiros cinco livros de Moisés (o Pentateuco), não acreditavam na ressurreição dos mortos (Mt 22:23-32).
A declaração de Paulo (At 23:6), no entanto, foi mais do que uma tática inteligente para distrair o Sinédrio. Uma vez que o encontro com o Jesus ressuscitado na estrada de Damasco era o fundamento de sua conversão e ministério apostólico, a crença na ressurreição era a verdadeira questão pela qual ele estava sendo julgado (At 24:20, 21; 26:6-8). Nada mais podia explicar como ele havia abandonado seu antigo zelo para se tornar quem ele era naquele momento. Se Jesus não tivesse ressuscitado, seu ministério era inútil, e ele também sabia disso (1Co 15:14-17).
Naquela noite, quando Paulo estava na fortaleza, o Senhor lhe apareceu, dizendo: “Coragem! Pois do modo por que deste testemunho a Meu respeito em Jerusalém, assim importa que também o faças em Roma” (At 23:11). Dadas as circunstâncias, essa promessa deve ter sido significativa para Paulo. Seu desejo de pregar em Roma (At 19:21; Rm 1:13-15; 15:22-29) ainda seria realizado.


Ano Bíblico: Dn 1–3

Quinta-feira
Transferência para Cesareia

Irritados com o fato de que ainda não tinham se livrado de Paulo por meios legais, um grupo decidiu articular um plano para atacar o apóstolo em uma emboscada e o matar por conta própria.

7. De acordo com Atos 23:12-17, qual era o plano dos judeus contra Paulo? Como esse esquema foi frustrado?

O fato de que mais de 40 judeus conspiraram contra Paulo e se uniram em um juramento revela o ódio que o apóstolo despertava em Jerusalém. Lucas não revela a identidade desses homens, mas eles eram extremistas dispostos a fazer o que fosse necessário para proteger a fé judaica de seus supostos traidores e inimigos. Esse nível de fanatismo religioso, aliado a um fervor revolucionário e nacionalista, não era incomum na Judeia do 1o século e em seus arredores.
De maneira providencial, porém, a notícia da conspiração foi ouvida pelo sobrinho de Paulo. É um tanto decepcionante que não conheçamos quase nada sobre a família de Paulo, mas, aparentemente, ele e sua irmã haviam sido criados em Jerusalém (At 22: 3), onde ela se casou e teve pelo menos um filho. De qualquer maneira, o sobrinho de Paulo – o diminutivo neaniskos (At 23:18, 22) e o fato de ele ter sido levado “pela mão” (At 23:19) implicam que ainda era adolescente – conseguiu visitá-lo na fortaleza e lhe contar a história.

8. Leia Atos 23:26-30. Qual foi a mensagem que o comandante Lísias enviou ao governador Félix sobre Paulo? Assinale a alternativa correta:
A. (  ) Ele disse que Paulo parecia ser inocente.
B. (  ) Ele pediu que Félix executasse Paulo.

A carta apresentava a Félix um relatório justo sobre a situação. Além disso, mostrava como Paulo havia sido beneficiado por sua cidadania romana. A lei romana protegia plenamente seus cidadãos, que tinham o direito, por exemplo, a um julgamento legal, no qual pudessem comparecer perante o tribunal e se defender (At 25:16), e também o direito de recorrer ao imperador no caso de um julgamento injusto (At 25:10, 11).
Independentemente da reputação de Félix, ele tratou Paulo de maneira juridicamente apropriada. Após um interrogatório preliminar, ele ordenou que o apóstolo fosse mantido preso até que os acusadores chegassem.

Pense na providência de Deus na vida de Paulo. Com que frequência você tem reconhecido humildemente a providência de Deus em sua vida, apesar das provações e dos sofrimentos que possa ter passado?
Ano Bíblico: Dn 4–6
Sexta-feira
Estudo adicional

“Paulo e seus companheiros formalmente apresentaram aos dirigentes da obra em Jerusalém as contribuições enviadas pelas igrejas gentílicas para o sustento dos pobres existentes entre os irmãos judeus. […] Essas ofertas voluntárias traduziam a lealdade dos conversos gentios para com a obra de Deus organizada em todo o mundo, e deviam ter sido recebidas por todos com grato reconhecimento; entretanto, era evidente para Paulo e seus colaboradores que, mesmo dentre aqueles diante de quem agora estavam, havia alguns que eram incapazes de valorizar o espírito de amor fraternal que motivara as ofertas” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 399, 400).
“Se os dirigentes da igreja tivessem abandonado completamente seus sentimentos de amargura contra o apóstolo, aceitando-o como alguém especialmente chamado por Deus para levar o evangelho aos gentios, o Senhor o teria poupado para eles. Deus não havia ordenado que os trabalhos de Paulo acabassem tão cedo; mas não operou um milagre para conter o desenrolar das circunstâncias que a atitude dos líderes da igreja em Jerusalém havia provocado.
“Esse espírito ainda produz os mesmos resultados. A negligência em apreciar e aproveitar as provisões da graça divina tem privado a igreja de muitas bênçãos. Quantas vezes o Senhor teria prolongado a obra de um fiel ministro, se seu trabalho tivesse sido valorizado! Mas quando a igreja permite ao inimigo perverter o entendimento, de maneira que representem e interpretem mal as palavras e atos do servo de Cristo; se eles se permitirem atrapalhar e estorvar a sua utilidade, o Senhor, às vezes, remove a bênção que Ele deu. […].
“Depois que as mãos estão cruzadas sobre o peito inerte, quando a voz de advertência e encorajamento está em silêncio, então os obstinados podem ser despertados para ver e valorizar a bênção que rejeitaram. Sua morte pode realizar o que sua vida não conseguiu fazer” (Ibid., p. 417, 418).

Perguntas para discussão
1. Paulo foi para Jerusalém sabendo que não seria bem-vindo ali, pois colocava os interesses da igreja acima dos seus interesses. Devemos imitá-lo?
2. O que  aprendemos com a concessão que Paulo fez em Jerusalém? Como ser politicamente corretos sem renunciar aos princípios pelos quais vivemos?
3. A unidade da igreja é sempre muito importante. Como podemos trabalhar juntos e unidos, mesmo quando temos visões diferentes das coisas?
Ano Bíblico: Dn 7–9
Ano Bíblico: Ez 42–44