" Ide por todo o mundo e pregai o evangelho
          Marcos 16:15
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Marcos 16:15
Lição da Escola Sabatina
 
A primeira viagem missionária de Paulo
VERSO PARA MEMORIZAR: “Tomai, pois, irmãos, conhecimento de que se vos anuncia remissão de pecados por intermédio deste; e, por meio Dele, todo o que crê é justificado de todas as coisas das quais vós não pudestes ser justificados pela lei de Moisés” (At 13:38, 39).

LEITURAS DA SEMANA: At 13; 2Co 4:7-10; Rm 10:1-4; 3:19; At 14:1-26; Rm 9–11

É certo que o evangelho deveria alcançar os gentios, bem como os judeus. Esta é a mensagem que os primeiros cristãos judeus estavam, aos poucos, começando a entender.
O primeiro relato explícito sobre gentios que se uniram à fé em larga escala se refere a Antioquia. Em outras palavras, a primeira igreja gentílica foi fundada em Antioquia, ainda que ela também tivesse um contingente substancial de cristãos judeus (Gl 2:11-13). Em virtude do zelo missionário de seus fundadores e do novo ímpeto proporcionado pela chegada de Barnabé e Paulo, a igreja cresceu rapidamente e se tornou o primeiro centro cristão importante fora da Judeia. De fato, em alguns aspectos, ela até ultrapassou a igreja em Jerusalém.
Estando os apóstolos ainda em Jerusalém, Antioquia se tornou o berço das missões cristãs. A partir dessa cidade, e com o apoio inicial dos cristãos locais, Paulo saiu para realizar suas três viagens missionárias. Por causa do compromisso desses cristãos, o cristianismo se tornou o que Jesus almejava: uma religião mundial, na qual o evangelho seria espalhado para “cada nação, e tribo, e língua, e povo” (Ap 14:6).
Sábado à tarde
Domingo
Salamina e Pafos

Em Atos 13, Lucas transporta o leitor de volta a Antioquia, a fim de apresentar a primeira viagem missionária de Paulo, que ocupa dois capítulos inteiros (At 13 e 14). A partir desse ponto até o final do livro, o foco passa a ser Paulo e suas missões aos gentios.
Esse é o primeiro esforço missionário, relatado no livro de Atos, intencional e cuidadosamente planejado por uma igreja em particular. Não obstante, Lucas se preocupa em destacar que essa ação missionária teve origem em Deus, não na iniciativa própria dos irmãos de Antioquia. A questão, porém, é que Deus só atua por nosso intermédio quando nos colocamos voluntariamente em uma posição na qual Ele possa nos usar.

1. Leia Atos 13:1-12. Quais são os pontos principais enfatizados por Lucas sobre as atividades de Barnabé e Paulo em Chipre?

Um período de oração intercessória e jejum precedeu a partida dos missionários; nesse contexto, a imposição de mãos foi essencialmente um ato de consagração, ou uma recomendação à graça de Deus (At 14:26) para a tarefa em questão.
A ilha de Chipre está localizada na região nordeste do mar Mediterrâneo, não muito longe de Antioquia. Era um lugar natural para começar a obra, pois não apenas Barnabé era de Chipre, mas o evangelho também já havia chegado ali. Mas certamente ainda havia muito para se fazer.
Uma vez em Chipre, Barnabé e Paulo – e João Marcos, primo de Barnabé (At 15:39; Cl 4:10), que estava com eles – pregaram nas sinagogas de Salamina. Essa era uma prática regular de Paulo: pregar primeiramente nas sinagogas antes de se voltar para os gentios. Visto que Jesus era o Messias de Israel, era mais do que natural compartilhar o evangelho, em primeiro lugar, com os judeus.
Depois de Salamina, eles foram para o oeste, pregando enquanto percorriam seu caminho até chegar à capital, Pafos. A narrativa, então, gira em torno de dois indivíduos: um feiticeiro judeu chamado Barjesus, também conhecido como Elimas, e Sérgio Paulo, o governador romano local. A história apresenta um bom exemplo de como o evangelho foi recebido de diferentes maneiras: por um lado, houve oposição aberta; por outro, aceitação fiel mesmo por gentios de grande prestígio. A linguagem de Atos 13:12 implica, claramente, em conversão.

Nesse caso, um judeu resistiu à verdade enquanto um gentio a aceitou. Por que, às vezes, as pessoas de outras denominações cristãs são mais difíceis de alcançar com a “verdade presente” do que aquelas que não possuem nenhuma fé?
Ano Bíblico: Jr 7–9
Ano Bíblico: Jr 4–6
Segunda-feira
Antioquia da Pisídia: Parte 1

De Chipre, Paulo e seus companheiros embarcaram para Perge, na Panfília, na costa sul da moderna Turquia. Antes de relatar a viagem para Antioquia da Pisídia, Lucas apresenta duas mudanças significativas: Paulo se torna a figura principal (até esse ponto, Barnabé sempre é mencionado primeiro), e Lucas deixa de usar o nome judaico de Paulo (“Saulo”) e começa a se referir a ele apenas como “Paulo” (At 13:9). Essa mudança provavelmente ocorreu porque, a partir de então, Paulo se encontrava, sobretudo, em um ambiente greco-romano.
Em Atos 13:13, Lucas relata que João Marcos acabou voltando para Jerusalém. O texto bíblico não nos informa o motivo de sua deserção. Ellen G. White escreve que, diante do medo e desanimado por causa das dificuldades que os aguardavam, “Marcos se intimidava e, perdendo todo o ânimo, recusou-se a prosseguir, retornando a Jerusalém” (Atos dos Apóstolos, p. 170). Deus nunca prometeu que seria fácil. Pelo contrário, Paulo sabia desde o início que servir a Jesus envolveria muito sofrimento (At 9:16), mas ele aprendeu a depender inteiramente do poder de Deus, e nisso estava o segredo de sua força (2Co 4:7-10).

2. Leia Atos 13:38. Qual foi a essência da mensagem de Paulo na sinagoga de Antioquia?

O texto de Atos 13:16-41 contém o primeiro sermão de Paulo registrado no Novo Testamento. Com certeza esse não foi o primeiro sermão pregado pelo apóstolo, e não há dúvida de que o relato de Lucas consiste apenas num resumo do que Paulo disse.
O sermão é dividido em três partes principais. Paulo começou falando de crenças em comum a respeito da eleição divina de Israel e do reinado de Davi (At 13:17-23); essa parte tinha o objetivo de estabelecer um ponto de contato com o público judeu. Em seguida, ele apresentou Jesus como o cumprimento das promessas de Deus de um descendente de Davi que traria salvação a Israel (At 13:23-37). A parte final é uma advertência contra a rejeição da salvação oferecida por Jesus (At 13:38-41).
O clímax do sermão está nos versículos 38 e 39, que contêm a essência da mensagem de Paulo sobre a justificação. Perdão e justificação estão disponíveis apenas por intermédio de Jesus, não pela lei de Moisés. Essa passagem não afirma que a lei foi abolida. Apenas destaca a sua incapacidade de realizar o que os judeus esperavam que ela fizesse, a saber, justificar (Rm 10:1-4). Essa prerrogativa repousa unicamente sobre Jesus Cristo (Gl 2:16).

O que significa o fato de que a salvação ocorre somente por intermédio de Jesus? Como conciliar a necessidade de guardar a lei moral com o fato de que a lei não é capaz de justificar?
Terça-feira
Antioquia da Pisídia: Parte 2

Atos 13:38 e 39 apresenta a questão da incapacidade da lei para justificar, um importante conceito doutrinário. Apesar do caráter irrevogável de seus mandamentos morais, a lei é incapaz de justificar porque não pode produzir obediência perfeita naqueles que a observam (At 15:10; Rm 8:3). Todavia, mesmo que ela pudesse produzir em nós obediência perfeita, essa obediência não poderia expiar pecados passados (Rm 3:19; Gl 3:10, 11). Por isso, justificação não pode ser obtida por merecimento, nem mesmo parcialmente. Podemos recebê-la somente pela fé no sacrifício expiatório de Jesus (Rm 3:28; Gl 2:16), um presente que não merecemos. Por mais essencial que seja a obediência para a vida cristã, não podemos obter a salvação por meio dela.

3. Leia Atos 13:42-49. Como a sinagoga recebeu a mensagem de Paulo? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:
A. (  ) Muitos aceitaram os ensinos de Paulo, mas os judeus o perseguiram.
B. (  ) O povo quis apedrejá-lo.

Apesar da maneira dura em que Paulo concluiu sua mensagem, a reação da maioria na sinagoga foi altamente favorável. Porém, no sábado seguinte, as coisas mudaram drasticamente. Muito provavelmente “os judeus” que estavam rejeitando a mensagem do evangelho fossem os líderes da sinagoga, os representantes do judaísmo oficial. Lucas atribuiu ao ciúme a atitude impiedosa daqueles homens para com Paulo.
No mundo antigo, diversos aspectos do judaísmo, como o monoteísmo, o estilo de vida e até mesmo o sábado atraíam fortemente os não judeus, e muitos deles se uniam à fé judaica como prosélitos. A circuncisão, no entanto, era um obstáculo sério, pois era considerada por gregos e romanos como uma prática bárbara e repulsiva. Consequentemente, muitos gentios frequentavam as sinagogas com o intuito de adorar a Deus, mas não chegavam ao ponto de se converter formalmente ao judaísmo. Tais pessoas eram conhecidas como “tementes a Deus”. Provavelmente eles, bem como os prosélitos da sinagoga de Antioquia (At 13:16, 43), ajudaram a espalhar a notícia sobre a mensagem de Paulo entre as pessoas em geral, vindo estas em grande número. A possibilidade de experimentar a salvação sem antes ter que se unir ao judaísmo era, sem dúvida, particularmente atrativa para muitos.
Isso pode explicar o ciúme dos líderes judeus. Ao rejeitarem o evangelho, eles não estavam apenas se excluindo da salvação, mas também liberando Paulo e Barnabé para que voltassem sua atenção aos gentios, que se alegraram e louvaram a Deus porque Ele os incluíra na salvação.


Ano Bíblico: Jr 14–16
Quarta-feira
Icônio

Instigadas pelos líderes judeus em Antioquia, as autoridades locais incitaram uma multidão contra Paulo e Barnabé e os expulsaram da cidade (At 13:50). Os discípulos, no entanto, transbordavam de alegria e do Espírito Santo (At 13:52). Os missionários então se dirigiram para a cidade de Icônio.

4. De acordo com Atos 14:1-7, qual foi o resultado das atividades de Paulo e Barnabé em Icônio?

Em Icônio, Paulo e Barnabé continuaram a prática de se dirigir primeiramente aos judeus antes de se voltarem para os gentios. O sermão de Paulo em Antioquia (At 13:16-41) apresenta a principal razão para a prioridade judaica em seu ministério – a eleição de Israel, com tudo o que a envolvia (Rm 3:2; 9:4, 5) e o cumprimento da promessa de Deus de um Salvador da linhagem de Davi. Embora muitos judeus estivessem rejeitando o evangelho, Paulo nunca perdeu a esperança de uma ampla conversão judaica.
Em Romanos 9 a 11, Paulo deixa claro que “nem todos os de Israel são, de fato, israelitas” (Rm 9:6), e que somente por causa da misericórdia de Deus é que alguns judeus haviam crido. O Senhor não rejeitou o Seu povo, mas “também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça” (Rm 11:5). Paulo continuou a pregar o evangelho aos gentios, embora ele acreditasse que, um dia, mais judeus poderiam aceitar a fé em Jesus.
“O argumento de Paulo em Romanos 9 a 11 apresenta uma explicação adicional para a estratégia de missão adotada pelo apóstolo na narrativa de Atos, e confronta todas as gerações de cristãos com a importância teológica de testemunhar aos judeus incrédulos” (David G. Peterson, The Acts of the Apostles [Grand Rapids: Eerdmans, 2009], p. 401).
A situação não foi muito diferente do que ocorrera em Antioquia. A reação inicial dos judeus e gentios para com o evangelho de Paulo foi altamente positiva, mas novamente os judeus incrédulos, possivelmente os líderes da comunidade judaica local, incitaram os gentios e envenenaram a mente deles contra os missionários, causando uma divisão entre o povo. Enquanto os adversários planejavam atacar e linchar Paulo e Barnabé, os dois missionários decidiram deixar a cidade e seguir para a próxima.

Mais do que apenas ouvir o evangelho, o povo judeu precisa vê-lo na vida dos que professam o nome de Jesus. Se você tem conhecidos judeus, que testemunho está dando a eles?

Ano Bíblico: Jr 17–19
Quinta-feira
Listra e Derbe

O próximo lugar para onde Paulo e Barnabé viajaram foi Listra, uma aldeia desconhecida a cerca de 18 quilômetros a sudoeste de Icônio. Embora tenham passado um tempo ali (At 14:6, 7, 15), Lucas relata apenas uma história e seus desdobramentos: a cura de um homem aleijado, provavelmente um mendigo, enfermo desde o nascimento.

5. Leia Atos 14:5-19. O que a reação do povo para com Paulo revela acerca de como estavam imersos na ignorância?

As multidões ficaram tão impressionadas com o milagre que confundiram Paulo e Barnabé com deuses – pensaram que Barnabé era Zeus, o deus supremo do panteão grego, e Paulo, Hermes, o assistente e porta-voz de Zeus. Na verdade, as pessoas queriam lhes oferecer sacrifícios.
O poeta latino Ovídio (43 a.C.-17/18 d.C.) já havia registrado uma lenda sobre esses mesmos dois deuses, disfarçados de humanos, visitando uma cidade na mesma região (“as colinas da Frígia”) e procurando um lugar para repousar. De acordo com a lenda, um casal humilde e idoso os tratou com gentileza e hospitalidade; o restante do povo foi indiferente. Por causa de sua bondade e cuidado para com os visitantes desconhecidos, a casa daqueles idosos foi transformada em um templo e eles, em sacerdotes, enquanto o restante da cidade foi completamente destruído (Metamorfoses, 611-724).
Com essa história circulando na região, a reação do povo diante do milagre de Paulo não causa nenhuma surpresa. A lenda também explica a razão pela qual a multidão assumiu que os missionários fossem aqueles dois deuses, e não Asclépio, por exemplo, o deus da cura. Paulo e Barnabé, no entanto, conseguiram pôr fim àquela falsa adoração que o povo tentava lhes prestar. No fim, alguns opositores de Antioquia e Icônio reverteram completamente a situação, e Paulo foi apedrejado e dado como morto.

6. Leia Atos 14:20-26. Onde Paulo e Barnabé terminaram a viagem? O que eles fizeram no caminho de volta? Assinale a alternativa correta:
A. (  ) Em Antioquia da Síria. Eles visitaram as igrejas que haviam fundado, exortando-as a prosseguir na fé cristã.
B. ( ) Na ilha de Chipre, de onde iniciaram a segunda viagem missionária.

Paulo disse: “Através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus” (At 14:22). O que isso quer dizer? Você já experimentou o que ele disse nesse verso? Mais importante ainda, como você pode crescer na fé enfrentando “tribulação”?
Ano Bíblico: Jr 20–23
Sexta-feira
Estudo adicional

“Durante a vida de Cristo na Terra, Ele tinha buscado fazer com que os judeus abandonassem sua exclusividade. A conversão do centurião e da mulher siro-fenícia foram exemplos de Sua obra direta fora do povo reconhecido de Israel. Chegara, agora, o momento para uma obra ativa e contínua entre os gentios, dos quais comunidades inteiras receberam o evangelho alegremente e glorificaram a Deus pela luz de uma fé inteligente. A incredulidade e a maldade dos judeus não impediram a realização do propósito do Senhor, pois um novo Israel foi enxertado na antiga oliveira. As sinagogas foram fechadas para os apóstolos, mas as casas particulares foram abertas para o seu uso, e os edifícios públicos dos gentios também foram usados para pregar a palavra de Deus” (Ellen G. White, Paulo, o Apóstolo da Fé e da Coragem, p. 51).
“Em todos os seus esforços missionários, Paulo e Barnabé procuravam seguir o exemplo de Cristo, com sacrifício voluntário e trabalho fiel e ardoroso em prol das pessoas. Atentos, zelosos e incansáveis, não consultavam as inclinações ou a comodidade individual, mas com uma ansiedade acompanhada de orações e atividade incessante, semeavam a semente da verdade. E, com o semear da semente, os apóstolos tinham muito cuidado em proporcionar a todos os que tomavam posição ao lado do evangelho instruções práticas de valor incalculável.” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 186).

Perguntas para discussão
1. João Marcos partiu quando as coisas ficaram difíceis. Paulo e Barnabé posteriormente tiveram uma divergência sobre João Marcos (veja At 15:37). Anos depois, Paulo escreveu: “Toma contigo Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério” (2Tm 4:11). Quais lições extraímos sobre aqueles que mostram-se infiéis ao chamado?
2. Recapitule a resposta de Paulo e Barnabé aos habitantes de Listra, quando eles foram confundidos com deuses (At 14:14-18). Como devemos responder quando somos tentados a levar o crédito pelo que Deus fez?
3. Leia Atos 14:21-23. O que podemos fazer, individualmente e como igreja, para nutrir e fortalecer a fé dos novos conversos?
4. Como evitar que as tradições e crenças que mantemos atrapalhem o avanço na verdade, a exemplo do que fizeram os opositores de Paulo?
Ano Bíblico: Jr 24–26
Ano Bíblico: Jr 10–13