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          Marcos 16:15
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Marcos 16:15
Lição da Escola Sabatina
 
Detenção em Cesareia
VERSO PARA MEMORIZAR: “Assim Deus permitisse que, por pouco ou por muito, não apenas tu, ó rei, porém todos os que hoje me ouvem se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias” (At 26:29).

LEITURAS DA SEMANA: At 24–26; 1Co 1:23

A transferência de Paulo para Cesareia inaugurou um período de dois anos de prisão do apóstolo naquela cidade (At 24:27), mais precisamente no pretório de Herodes (At 23:35), a residência oficial do governador romano. Durante esse período, Paulo teve várias audiências nas quais compareceu diante de dois governadores romanos (Félix e Festo) e um rei (Agripa II), dando assim prosseguimento ao ministério que Deus lhe concedera (At 9:15).
Em todas as audiências, Paulo sempre se declarou inocente, alegando que nenhuma evidência podia ser produzida contra ele, conforme demonstrava a ausência de testemunhas. Na verdade, toda a narrativa pretende mostrar que Paulo não havia feito nada que justificasse a prisão e que poderia ser posto em liberdade, caso não tivesse apelado para César (At 26:32). Essas audiências, porém, concederam-lhe oportunidades de testemunhar sobre Jesus e a grande esperança encontrada na promessa da ressurreição.
No entanto, aqueles foram anos de profunda ansiedade e de confinamento tedioso, em que o apóstolo parece não ter obtido nenhum apoio da igreja em Jerusalém, cujos líderes mostravam “a opinião que ainda mantinham, de que Paulo devia ser responsabilizado em grande parte pelos preconceitos existentes” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 403).
Sábado à tarde
Domingo
Diante de Félix

Cinco dias após a transferência de Paulo para Cesareia, um grupo de líderes judeus importantes – o sumo sacerdote, alguns membros do Sinédrio e um advogado chamado Tértulo – vieram de Jerusalém e formalmente apresentaram diante de Félix suas acusações contra o apóstolo (At 24:1-9).
Esse é o único julgamento em Atos em que os acusadores empregaram um advogado. Em seu discurso, Tértulo tentou uma estratégia interessante para ganhar o favor do governador. Simplesmente não era verdade que, sob o governo de Félix, os judeus tinham desfrutado de um longo período de paz. Na verdade, nenhum outro governador havia sido tão repressivo e violento, e isso gerou um enorme antagonismo entre os judeus em relação ao governo romano. Com muita criatividade, Tértulo usou a própria política administrativa do governador para convencê-lo de que ele alcançaria estabilidade política nesse caso também apenas por meio de severa repressão.
Em seguida, ele apresentou três acusações específicas contra Paulo: (1) que ele era um agitador que constantemente fomentava distúrbios entre os judeus por todo o império (At 24:5); (2) que era um líder dos nazarenos (At 24:5), o que implicava o cristianismo, em sua totalidade, como uma espécie de movimento revolucionário; e (3) que havia tentado profanar o templo de Jerusalém (At 24:6).

1. De acordo com Atos 24:10-19, como Paulo respondeu a cada uma das acusações?

Dois outros pontos levantados por Paulo foram devastadores para a acusação: (1) a ausência das testemunhas da Ásia (At 24:18, 19), o que tinha potencial para tornar o julgamento inválido; e (2) o fato de que os judeus ali só podiam falar da audiência de Paulo perante o Sinédrio ocorrida na semana anterior (At 24:20); assim sendo, não tinham nada de que acusá-lo, à exceção de sua crença na ressurreição dos mortos (compare com At 23:6).
Félix imediatamente entendeu o peso dos argumentos de Paulo, ainda mais porque ele também estava um pouco familiarizado com o cristianismo, provavelmente por causa de sua esposa judia, Drusila. O fato é que ele decidiu suspender o processo até receber novas informações (At 24:22).
A resposta de Félix (At 24:24-27) revela muito sobre seu caráter: ele procrastinou, podia ser subornado e foi oportunista. Paulo tinha poucas chances de ter um julgamento justo com alguém como Félix.

Leia Atos 24:16. Paulo disse que sempre se esforçava para ter uma “consciência pura diante de Deus e dos homens”. O que isso significa? O que você teria que mudar para dizer o mesmo?
Ano Bíblico: Os 1–4
Ano Bíblico: Dn 10–12
Segunda-feira
Diante de Festo

Depois de manter Paulo na prisão por dois anos, apenas para ganhar o favor dos judeus, Félix foi substituído por Pórcio Festo no governo da Judeia (At 24:27). Festo governou de 60 a 62 d.C.

2. Leia Atos 25:1-5. Como esse episódio revela o ódio que a pregação da verdade pode causar naqueles que não desejam crer nela?

Provavelmente pelo fato de já terem falhado uma vez na tentativa de convencer Félix das acusações contra Paulo, os líderes judaicos não quiseram arriscar novamente. No que parece ter sido a primeira visita de Festo a Jerusalém, eles solicitaram, como favor, uma mudança de jurisdição, pedindo-lhe que lhes entregasse Paulo de volta, para que ele pudesse ser julgado pelo Sinédrio de acordo com a lei judaica.
O pedido, porém, era apenas um disfarce para esconder a verdadeira intenção daqueles líderes: matar Paulo. Embora Festo estivesse disposto a reabrir o caso, ele declarou que a audiência ocorreria em Cesareia, não em Jerusalém, o que significava que Paulo seria julgado pela lei romana.
Assim que Festo voltou para Cesareia, ele convocou o tribunal, e os adversários de Paulo começaram a apresentar as acusações contra o apóstolo (At 25:7). Desta vez, Lucas não relata as acusações, mas com base na resposta de Paulo (At 25:8), podemos ver que elas eram semelhantes àquelas apresentadas dois anos antes, talvez com a ênfase adicional de que, por ser um agitador, Paulo também representava uma ameaça para o império.

3. Leia Atos 25:9-12. Ao perceber que Festo poderia usá-lo por razões políticas, como Paulo reagiu? Assinale a alternativa correta:
A. (  ) Denunciou Festo.
B. (  ) Apelou para César.

Festo não se mostrou diferente de Félix em relação às suas estratégias políticas (At 24:27). Não desejando perder o apoio dos judeus tão cedo ao declarar que Paulo era inocente, ele pensou em atender o pedido dos líderes judaicos: permitir que o apóstolo fosse julgado pelo Sinédrio em Jerusalém.
Isso, contudo, era inaceitável para Paulo, que sabia que não seria tratado com justiça em Jerusalém e que estaria entregue aos caprichos de seus inimigos. Então, valendo-se de suas prerrogativas romanas, insistiu que tinha o direito de ser julgado por um tribunal romano e, sem ver outra alternativa, resolveu apelar para a mais alta instância da justiça romana, que era o próprio imperador.
Terça-feira
Perante Agripa

Festo concordou em atender o pedido de Paulo de enviá-lo a Roma (At 25:12). Enquanto isso o governador, ao receber uma visita de Estado de Herodes Agripa II, aproveitou para consultá-lo sobre o caso de Paulo, especificamente sobre o tipo de informação que ele deveria enviar ao imperador em seu relatório oficial. Festo ainda não estava muito familiarizado com os assuntos judaicos, e Agripa certamente poderia ajudá-lo (At 26:2, 3).

4. Leia Atos 25:13-22. O que Festo disse a Agripa sobre Paulo e como o rei respondeu? Assinale “V” para verdadeiro ou “F” para falso:
A. (  ) Relatou as acusações e a prisão de Paulo. O rei respondeu que também desejava ouvir Paulo.
B. (   ) Disse que Paulo era culpado. O rei condenou o apóstolo sem um julgamento.

Agripa II, o último dos Herodes, chegou a Cesareia com sua irmã Berenice para saudar o novo governador.
Ao descrever o caso de Paulo, Festo revelou sua surpresa de que as acusações contra ele não estavam relacionadas a nenhuma ofensa importante, nem política nem criminal. Em vez disso, elas tinham a ver com questões relativas à religião judaica, especificamente com um certo Jesus, “já morto, o qual Paulo” insistia que estava “vivo” (At 25:19). Paulo já havia declarado diante do Sinédrio que ele estava sendo julgado por causa de sua crença na ressurreição de Jesus; e, naquele momento, Festo deixou claro que esse era realmente o verdadeiro assunto em questão.

5. Leia Atos 25:23-27. Como Lucas descreve a cerimônia em que Paulo compareceu perante Agripa?

“E agora Paulo, ainda algemado, achava-se diante do grupo reunido. Que contraste era ali apresentado! Agripa e Berenice possuíam poder e posição e, por isso, eram favorecidos pelo mundo. Contudo, eram destituídos dos traços de caráter que Deus estima. Eram transgressores de Sua lei, corruptos de coração e vida. Sua conduta não era apreciada pelo Céu” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 434).

Como as aparências, que podem ser agradáveis à visão humana, podem muitas vezes nos enganar? As aparências são muito diferentes da realidade?

Ano Bíblico: Os 10–14
Quarta-feira
A defesa de Paulo

Com o cenário preparado e os nobres convidados assentados ao lado do governador, o prisioneiro foi trazido para apresentar sua defesa, que visava principalmente Agripa, visto que Festo já a conhecia (At 25:8-11).

6. Leia Atos 26:1-23. O que Paulo estava fazendo em seu discurso perante o rei Agripa? Assinale a alternativa correta:
A. (  ) Tentando testemunhar de sua conversão e obter o favor do rei Agripa.
B. (  ) Acusando Festo de tê-lo tratado com crueldade.

O discurso de Paulo foi, na verdade, um relato autobiográfico de sua vida antes e depois da conversão. Em termos de conteúdo, o discurso lembra o de Atos 22:1-21, que ele fez diante da multidão em Jerusalém.
O apóstolo começa tentando garantir o favor de Agripa. Ele demonstra gratidão pela oportunidade de relatar seu caso diante de uma pessoa tão eminente, ainda mais porque Agripa estava bem familiarizado com todos os costumes e questões relacionados à fé judaica. Por esse motivo, Agripa poderia ser de grande ajuda para que o governador romano compreendesse que as acusações contra Paulo não tinham nenhum mérito e eram falsas.
O discurso pode ser dividido em três partes. Na primeira parte (At 26:4-11), Paulo descreve sua antiga piedade farisaica, que era amplamente conhecida entre seus contemporâneos em Jerusalém. Como fariseu, ele cria na ressurreição dos mortos, que era essencial para o cumprimento da esperança de Israel. Os judeus, portanto, estavam sendo incoerentes ao se opor ao ensino de Paulo, pois não havia nada nele que não fosse fundamentalmente judaico. Entretanto, ele entendia bem a atitude deles, porque ele mesmo havia achado tão inacreditável que Deus pudesse ter ressuscitado Jesus que até perseguira aqueles que acreditavam nisso.
Na segunda parte (At 26:12-18), Paulo relata como sua perspectiva tinha mudado desde seu encontro com Cristo na estrada para Damasco e o chamado que recebera para levar a mensagem do evangelho aos gentios.
Por fim, Paulo declara que o impacto do que ele havia visto (At 26:19-23) tinha sido tão grande que não lhe havia deixado escolha senão obedecer e realizar sua missão, a única razão pela qual ele estava sendo julgado. A questão por trás de sua prisão, portanto, não era que ele tivesse violado a lei judaica nem profanado o templo; em vez disso, era a sua mensagem sobre a morte e ressurreição de Jesus, que estava em plena harmonia com as Escrituras e permitia aos gentios participar igualmente da salvação.

Leia Atos 26:18. O que acontece com os salvos por Cristo? Você experimentou essa realidade?
Ano Bíblico: Joel
Quinta-feira
Paulo diante dos líderes

Embora Paulo estivesse falando com Agripa, Festo foi o primeiro a reagir (At 26:24). Festo não teria apresentado objeções se Paulo tivesse falado sobre a imortalidade da alma, mas mesmo os antigos greco-romanos sabiam que ambos os conceitos – imortalidade e ressurreição – não se harmonizam. Portanto, eles mantinham o primeiro e rejeitavam o último. Por essa razão, Paulo afirmou que o evangelho era loucura para os gentios (1Co 1:23).
De maneira respeitosa, Paulo defende a sanidade de suas ideias e se volta para Agripa, um judeu que não só podia compreendê-lo, mas também confirmar que suas palavras estavam de acordo com os profetas hebreus (At 26:25, 26).

7. Leia Atos 26:27, 28. Qual foi a resposta de Agripa à pergunta direta de Paulo? Complete as lacunas:
“Por pouco me ___________ a me fazer __________” (At 26:28).

A pergunta de Paulo colocou Agripa em uma posição difícil. Como judeu, ele nunca negaria sua crença nas Escrituras; por outro lado, se ele respondesse afirmativamente, não haveria outra opção senão aceitar Jesus como o Messias. Sua resposta foi uma fuga inteligente da armadilha lógica em que se encontrava: “Você acha que em tão pouco tempo pode convencer-me a tornar-me cristão?” (At 26:28, NVI) – essa é uma tradução melhor do grego que a tradicional: “Por pouco me persuades a me fazer cristão” (ARA).
A resposta de Paulo revela um grande compromisso com o evangelho: “Em pouco ou em muito tempo, peço a Deus que não apenas tu, mas todos os que hoje me ouvem se tornem como eu, porém sem estas algemas” (At 26:29, NVI). Em suas últimas palavras, o apóstolo não pediu para ter liberdade, a exemplo dos que o ouviam. Em vez disso, ele queria que eles pudessem ser como ele, exceto pelas algemas. O zelo missionário de Paulo ultrapassava grandemente sua preocupação com a própria segurança.

8. Leia Atos 26:30-32. Como o rei Agripa expressou sua convicção da inocência de Paulo?

Festo precisava da ajuda de Agripa apenas para preencher o relatório (At 25:25-27). A apelação de Paulo a César já havia sido formalmente concedida (At 25:12). O prisioneiro não estava mais sob a jurisdição do governador.

Leia Atos 26:24-28. A que Paulo apelou em última instância? Qual deve sempre ser nossa autoridade final em matéria de fé?
Ano Bíblico: Am 1–4
Sexta-feira
Estudo adicional

“Ao ouvir essas palavras, será que Agripa recordou-se da história passada de sua família, e de seus esforços infrutíferos contra Aquele sobre quem Paulo estava pregando? Ele pensou em seu bisavô Herodes e no massacre das crianças inocentes de Belém? Em seu tio-avô Antipas e no assassinato de João Batista? Em seu próprio pai, Agripa I, e no martírio do apóstolo Tiago? Viu ele nos desastres que rapidamente sucederam a esses reis uma evidência do desprazer de Deus em consequência dos crimes que cometeram contra Seus servos?
“Será que o luxo e a exibição daquele dia fizeram com que Agripa se lembrasse da ocasião em que seu próprio pai, um monarca mais poderoso que ele, esteve naquela mesma cidade, trajado de vestes brilhantes, enquanto o povo gritava que ele era um deus? Havia ele se esquecido de como, mesmo antes de terem cessado as aclamações de admiração, a vingança, rápida e terrível, caíra sobre o vaidoso rei? Um pouco de tudo isso cruzou rapidamente a memória de Agripa, mas sua vaidade foi adulada pela brilhante cena que estava diante dele, e o orgulho e a vaidade baniram todos os pensamentos mais nobres” (Comentários de Ellen G. White em Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 6, p. 1186).

Perguntas para discussão
1. Analise a decisão de Paulo de recorrer a César. Essa decisão foi correta (compare com At 25:25; 26:31, 32)? Até que ponto podemos tomar decisões para nos proteger, em vez de apenas confiar nos cuidados de Deus? Quando tomamos decisões significa que não confiamos em Deus?
2. Leia a declaração de Paulo em Atos 26:19. O que ela revela sobre Paulo? Temos sido fiéis ao nosso chamado (1Pe 2:9, 10)?
3. Paulo tinha paixão por pessoas – não por números, mas por pessoas. Em sua audiência final em Cesareia, ele disse ao auditório que o desejo de seu coração era que todos fossem como ele; isto é, salvos pela graça de Deus (At 26:29). Ele não desejava sua liberdade mais do que a salvação deles. O que aprendemos com seu exemplo? Estamos dispostos a fazer sacrifícios pelo evangelho?
4. Agripa teve a chance de ouvir o evangelho dos lábios de Paulo. No entanto, ele o rejeitou. Como evitar perder as oportunidades que aparecem bem diante de nós? De que modo podemos ficar espiritualmente sintonizados com as realidades que nos rodeiam?
Ano Bíblico: Am 5–9
Ano Bíblico: Os 5–9