" Ide por todo o mundo e pregai o evangelho
          Marcos 16:15
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Marcos 16:15
Lição da Escola Sabatina
 
Os primeiros líderes da igreja
VERSO PARA MEMORIZAR: “Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé” (At 6:7).

LEITURAS DA SEMANA: At 6; 7; 8:4-25; Hb 5 11-14; Mq 6 1-16

Muitos conversos no Pentecostes eram judeus helenistas, isto é, judeus do mundo greco-romano que agora viviam em Jerusalém (At 2:5, 9-11). Embora fossem judeus, eles eram, em muitos aspectos, diferentes dos judeus da Judeia – os “hebreus” mencionados em Atos 6:1. A diferença mais visível era que, como regra, eles não conheciam o aramaico, o idioma falado na Judeia naquela época.
Havia também muitas outras diferenças, tanto culturais quanto religiosas. Por terem nascido em terras estrangeiras, eles não tinham raízes nas tradições judaicas dos hebreus, ou pelo menos suas raízes não eram tão profundas quanto às deles. Presumivelmente, não estavam tão ligados às cerimônias do templo e aos aspectos da lei mosaica aplicáveis apenas à terra de Israel.
Além disso, por terem passado a maior parte da vida em um contexto greco-romano e vivido em contato com gentios, eles naturalmente estavam mais dispostos a compreender o caráter inclusivo da fé cristã. Na verdade, Deus usou muitos cristãos helenistas para cumprir a ordem de testemunhar ao mundo inteiro.


Sábado à tarde
Domingo
A nomeação dos sete

1. Leia Atos 6:1. Qual foi a queixa dos cristãos helenistas? Assinale a alternativa correta:
A. (  ) Os judeus da Judeia os estavam impedindo de aceitar a Jesus.
B. (  ) Suas viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária de alimentos.

“A causa da queixa foi a negligência que se alegava na distribuição diária de auxílio às viúvas gregas. Qualquer desigualdade seria contrária ao espírito do evangelho; contudo, Satanás conseguira despertar a suspeita. Medidas imediatas deveriam ser tomadas para remover todo motivo de descontentamento e evitar que o inimigo triunfasse em seus esforços de disseminar divisão entre os crentes” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 88).
A solução proposta pelos apóstolos foi que os helenistas escolhessem sete homens para “servir [diakone?] às mesas” (At 6:2), enquanto os apóstolos dedicariam seu tempo à oração e ao “ministério [diakonia] da palavra” (At 6:4). Uma vez que diakone? e diakonia pertencem ao mesmo grupo de palavras, a única diferença real está entre os termos “mesas”, em Atos 6:2, e “palavra”, em Atos 6:4. Isso, juntamente com o adjetivo “diária” (At 6:1), parece apontar para os dois principais elementos do cotidiano da igreja primitiva: o ensino (“da palavra”) e a comunhão (“às mesas”), sendo que esta última consistia na refeição comunitária, na Ceia do Senhor e nas orações (At 2:42, 46; 5:42).
Isto é, como depositários autoritativos dos ensinamentos de Jesus, os apóstolos se ocupariam principalmente do ensino doutrinário e também da oração, enquanto os sete se encarregariam das atividades de comunhão nas diversas igrejas localizadas nas casas. Seus deveres, no entanto, não se limitavam aos dos diáconos, conforme esse termo é entendido hoje. Os sete foram os primeiros líderes congregacionais da igreja.

2. Leia Atos 6:2-6. Como os sete foram escolhidos e comissionados para o serviço?

Os candidatos deviam ser distinguidos por qualidades morais, espirituais e práticas: deviam ter uma reputação honrosa e ser cheios do Espírito e de sabedoria. Com a aprovação da comunidade, os sete foram selecionados e então comissionados mediante oração e imposição de mãos. O rito parece indicar o reconhecimento público e a concessão de autoridade para que eles trabalhassem junto às várias congregações.

É fácil semear dissensão entre os cristãos. Como podemos manter a paz e nos concentrar na missão?

Ano Bíblico: Ct 5–8
Ano Bíblico: Ct 1–4
Segunda-feira
O ministério de Estêvão

Após a sua nomeação, os sete se dedicaram não apenas ao ministério da igreja, mas também ao testemunho eficaz. O resultado foi que o evangelho continuou a se espalhar, e o número de cristãos continuou aumentando (At 6:7). Esse crescimento trouxe oposição à igreja primitiva. A narrativa de Atos então se concentra em Estêvão, um homem de rara “estatura” espiritual.

3. O que Atos 6:8-15 ensina sobre a fé e o caráter de Estêvão? Além disso, qual foi sua pregação, que tanto enfureceu seus adversários?

Como judeu helenista, Estêvão compartilhava o evangelho nas sinagogas helenistas de Jerusalém. Havia várias dessas sinagogas na cidade. Atos 6:9 provavelmente se refere a duas delas: uma de imigrantes do sul (judeus de Cirene e Alexandria), e outra de imigrantes do norte (os da Cilícia e da Ásia).
Jesus certamente era o assunto central dos debates, mas as acusações levantadas contra Estêvão indicam, de sua parte, um entendimento a respeito do evangelho e suas implicações que possivelmente ultrapassava o parecer dos cristãos da Judeia. Estêvão foi acusado de blasfemar contra Moisés e contra Deus; isto é, contra a lei e o templo. Mesmo que ele tivesse sido mal interpretado em alguns pontos – ou suas palavras houvessem sido deliberadamente distorcidas – e falsas testemunhas tivessem sido induzidas a falar contra ele, as acusações podem não haver sido totalmente falsas, como no caso do próprio Jesus (Mc 14:58; Jo 2:19). No Sinédrio, ao condenar explicitamente a veneração idólatra do templo (At 7:48), Estêvão revelou entender as implicações mais profundas da morte de Jesus e suas consequências, pelo menos em relação ao templo e seus serviços cerimoniais.
Em outras palavras, embora talvez muitos cristãos judeus de origem hebraica ainda estivessem demasiado apegados ao templo e a outras práticas cerimoniais (At 3:1; 15:1, 5; 21:17-24), achando difícil abandoná-las (Gl 5:2-4; Hb 5:11-14), Estêvão e talvez os demais judeus helenistas cristãos logo entenderam que a morte de Jesus significava o fim de todo o sistema cerimonial do templo.

Por que devemos ter cuidado para não nos fecharmos tanto em algumas noções acalentadas, de maneira que rejeitemos uma nova luz?
Terça-feira
Perante o Sinédrio

4. Leia Atos 7:1-53. O que Estêvão disse aos seus acusadores? Quais lições podemos aprender com suas palavras?

As acusações levantadas contra Estêvão o levaram à prisão e ao julgamento pelo Sinédrio. De acordo com a tradição judaica, a lei e os serviços do templo representavam dois dos três pilares sobre os quais o mundo estava fundamentado – o último era a prática das “boas obras”. A simples insinuação de que as cerimônias mosaicas haviam se tornado obsoletas era verdadeiramente considerada um ataque ao que havia de mais sagrado no judaísmo; daí a acusação de blasfêmia (At 6:11).
A resposta de Estêvão é o discurso mais longo do livro de Atos, o que indica sua importância. Embora, à primeira vista, ele pareça apenas uma exposição tediosa da história de Israel, devemos entender o discurso em conexão com a aliança do Antigo Testamento e a maneira como os profetas usavam a estrutura dessa aliança quando se levantavam como reformadores religiosos para chamar Israel de volta às exigências da aliança. Eles costumavam empregar a palavra hebraica rîb, cuja melhor tradução provavelmente seja “processo judicial da aliança”, a fim de expressar a ação legal de Deus contra Seu povo, por causa da incapacidade dele de cumprir a aliança.
Em Miqueias 6:1 e 2, por exemplo, rîb aparece três vezes. Seguindo o padrão da aliança do Sinai (Êx 20–23), Miqueias relembrou o povo dos atos poderosos de Deus em seu favor (Mq 6:3-5), das condições e violações da aliança (Mq 6:6-12) e, finalmente, das maldições que resultavam dessas violações (Mq 6:13-16).
Esse provavelmente seja o pano de fundo do discurso de Estêvão. Quando solicitado a explicar suas ações, ele não fez nenhum esforço para refutar as acusações nem para defender sua fé. Em vez disso, ele ergueu a voz da mesma forma que os profetas antigos fizeram quando trouxeram o rîb de Deus contra Israel. Estêvão tinha o objetivo de ilustrar a ingratidão e a desobediência do povo.
Em Atos 7:51-53, Estêvão já não era mais o réu, mas profeta de Deus, apresentando o “processo judicial” contra os líderes. Se seus antepassados eram culpados de matar os profetas, eles o eram ainda mais. A mudança de “nossos pais” (At 7:11, 19, 38, 44, 45) para “vossos pais” (At 7:51, 52) é significativa: Estêvão pôs fim à sua solidariedade para com seu povo e tomou uma posição definitiva ao lado de Jesus. O custo seria enorme; no entanto, ele não revelou medo nem arrependimento.

Qual foi a última vez que você precisou assumir uma posição firme e decidida a favor de Jesus? Você fez o que devia fazer ou vacilou?
Ano Bíblico: Is 5–7
Quarta-feira
Jesus no tribunal celestial

Visto que, por definição, um profeta (em hebraico, n?bî) é alguém que fala em nome de Deus, Estêvão se tornou um profeta no momento em que trouxe o rîb do Senhor contra Israel. Seu ministério profético, no entanto, foi bastante curto.

5. Leia Atos 7:55, 56. Qual foi o significado da visão de Estêvão?

“No momento em que Estêvão chegou a esse ponto de seu discurso, houve um tumulto entre o povo. Quando ele estabeleceu uma conexão entre Cristo e as profecias e falou a respeito do templo, o sacerdote, fingindo-se horrorizado, rasgou as vestes. Para Estêvão, esse ato foi um sinal de que sua voz logo seria silenciada para sempre. Viu a resistência que suas palavras encontraram e compreendeu que estava apresentando seu último testemunho. Embora ainda estivesse no meio de seu sermão, concluiu-o abruptamente” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 100).
Enquanto Estêvão estava diante dos líderes judeus executando a ação jurídica do Senhor contra eles, Jesus estava em pé no tribunal celestial, isto é, no santuário celestial, ao lado do Pai – uma indicação de que o juízo na Terra era apenas uma expressão do verdadeiro juízo que ocorreria no Céu. Deus julgaria os falsos mestres e líderes de Israel.
Isso explica por que o chamado ao arrependimento, comum nos discursos anteriores (At 2:38; 3:19; 5:31), não está presente aqui. A teocracia de Israel estava chegando ao fim, o que significa que a salvação não mais seria mediada pela nação judaica, conforme prometido a Abraão (Gn 12:3; 18:18; 22:18), mas por meio dos seguidores de Jesus, judeus e gentios, que deveriam sair de Jerusalém e testemunhar ao mundo (At 1:8).

6. Leia Atos 7:57–8:1, 2. Como Lucas relatou a morte de Estêvão?

O apedrejamento era a pena por blasfêmia (Lv 24:14), embora não esteja claro se Estêvão foi condenado à morte ou simplesmente linchado por fanáticos. Conforme apontam os registros bíblicos, ele foi o primeiro cristão morto por causa de sua fé. O fato de que as testemunhas colocaram as vestes aos pés de Saulo sugere que ele era o líder dos adversários de Estêvão; porém, quando Estêvão orou por seus executores, também o fez por Saulo. Somente alguém com um caráter superior e fé inabalável poderia fazer isso – uma manifestação poderosa de sua fé e da realidade de Cristo em sua vida.
Ano Bíblico: Is 8–10
Quinta-feira
A propagação do evangelho

A vitória sobre Estêvão provocou uma enorme perseguição contra os cristãos em Jerusalém, certamente instigada pelo mesmo grupo de adversários. O líder desse grupo era Saulo, que causou imensos danos à igreja (At 8:3; 26:10). A perseguição, no entanto, resultou em bem.
Espalhados pela Judeia e Samaria, os fiéis saíram pregando o evangelho. A ordem para testemunhar nessas regiões (At 1:8) foi então cumprida.

7. Leia Atos 8:4-25. Quais lições são reveladas nesse relato?

Os samaritanos eram em parte israelitas, até mesmo do ponto de vista religioso. Eles eram monoteístas que aceitavam os primeiros cinco livros de Moisés (o Pentateuco), praticavam a circuncisão e aguardavam o Messias. Para os judeus, no entanto, a religião samaritana era corrompida, o que significa que os samaritanos não tinham nenhuma participação nas bênçãos da aliança de Israel.
A inesperada conversão de samaritanos surpreendeu a igreja em Jerusalém, de maneira que os apóstolos enviaram Pedro e João para avaliar a situação. O fato de Deus ter retido Seu Espírito até a chegada dos apóstolos (At 8:14-17) tinha provavelmente o objetivo de convencê-los de que os samaritanos deveriam ser plenamente aceitos como membros da comunidade de fé (veja At 11:1-18).
As coisas, no entanto, não pararam por aí. Em Atos 8:26-39, temos a história de Filipe e o etíope, um eunuco que, depois de um estudo bíblico, pediu o batismo. “Ambos desceram à água, e Filipe batizou o eunuco” (At 8:38).
Primeiro os samaritanos e em seguida o etíope – um estrangeiro que viera a Jerusalém para adorar e agora estava a caminho de casa. O evangelho estava atravessando as fronteiras de Israel e chegando ao mundo, conforme predito. Tudo isso, porém, era apenas o começo, visto que esses primeiros cristãos judeus percorreriam o mundo então conhecido e pregariam as boas-novas da morte de Jesus, que pagou a penalidade por seus pecados, oferecendo a todos, em todos os lugares, a esperança de salvação.
Pedro disse a Simão que ele estava “cheio de amargura e preso pelo pecado” (At 8:23, NVI). Qual foi a solução para o problema dele e para quem quer que esteja em situação semelhante?
Ano Bíblico: Is 11–14
Sexta-feira
Estudo adicional

“A perseguição que sobreveio à igreja de Jerusalém resultou em grande impulso para a obra do evangelho. O êxito havia acompanhado o ministério da Palavra nesse lugar, e havia o perigo de que os discípulos ali se demorassem por muito tempo, despreocupados em relação à comissão que haviam recebido do Salvador de ir a todo o mundo. Esquecidos de que a força para resistir ao mal é melhor obtida pelo trabalho intenso, começaram a pensar que não havia para eles trabalho tão importante como o de proteger a igreja de Jerusalém dos ataques do inimigo. Em lugar de instruir os novos conversos para levarem o evangelho aos que ainda não o haviam ouvido, estavam em perigo de tomar um caminho que os levaria a se sentirem satisfeitos com o que já tinha sido alcançado. A fim de espalhar Seus representantes por outras partes do mundo, de maneira que pudessem trabalhar por seus semelhantes, Deus permitiu que lhes sobreviesse a perseguição. Expulsos de Jerusalém, os crentes ‘iam por toda parte pregando a Palavra’” (At 8:4; Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 105).

Perguntas para discussão
1. Leia atentamente a citação de Ellen G. White acima sobre os perigos que a igreja primitiva enfrentou em relação à satisfação consigo mesma e com o que havia sido realizado por meio dela. Algo que aprendemos com isso é que, contrariamente às noções populares, muitos judeus aceitaram Jesus como o Messias. Ainda mais importante, essa história serve de advertência para o povo de Deus hoje. Como podemos ter certeza de que não estamos concentrados demais em proteger o que já temos, ao contrário de fazer o que realmente deveríamos fazer – alcançar o mundo?
2. Na época dos apóstolos, as relações entre judeus e samaritanos eram marcadas por séculos de violenta hostilidade. Filipe, um judeu helenista, testemunhou de Jesus em Samaria. O que isso nos ensina? Como adventistas do sétimo dia, não estamos imunes aos preconceitos culturais e étnicos. O que a cruz nos ensina sobre o fato de que somos todos iguais diante de Deus? O que a universalidade da morte de Cristo nos ensina sobre o valor infinito de todo ser humano?
3. Como Filipe abordou o etíope (At 8:27-30)? Como podemos estar mais abertos às oportunidades de compartilhar o evangelho com os outros?
4. Os ensinamentos de Atos 6–8 nos ajudam a cumprir a missão de maneira mais eficaz?
Ano Bíblico: Is 15–19
Ano Bíblico: Is 1–4