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          Marcos 16:15
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Marcos 16:15
Lição da Escola Sabatina
 
A conversão de Paulo
VERSO PARA MEMORIZAR: “Vai, porque este é para Mim um instrumento escolhido para levar o Meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel” (At 9:15).

LEITURAS DA SEMANA: At 9:1-30; 26:9-11; Dt 21:23; 1Co 9:1; Gl 1:1

A conversão de Saulo de Tarso (que se tornou Paulo) foi um dos acontecimentos mais extraordinários da história da igreja apostólica. A importância de Paulo, no entanto, vai muito além de sua própria conversão, pois ele certamente não foi o único inimigo da igreja a se tornar um cristão genuíno. A questão, em vez disso, diz respeito ao que ele acabou fazendo em prol do evangelho. Paulo tinha sido um incorrigível adversário dos cristãos primitivos, e o mal que ele poderia ter feito à igreja recém-formada era enorme. Ele tinha determinação e apoio oficial para destruir a igreja. No entanto, respondeu fielmente ao chamado de Deus na estrada para Damasco e se tornou o maior dos apóstolos. “Dentre os perseguidores mais cruéis e implacáveis da igreja de Cristo, surgiu o mais hábil defensor e mais bem-sucedido arauto do evangelho” (Ellen G. White, Paulo, o Apóstolo da Fé e da Coragem, p. 9).
As ações anteriores de Paulo, ao perseguir a igreja primitiva, sempre lhe trariam um profundo senso de indignidade, embora ele pudesse dizer com um sentimento de gratidão ainda mais profundo que a graça de Deus não lhe havia sido em vão. Com a conversão de Paulo, o cristianismo mudou para sempre.
Sábado à tarde
Domingo
Perseguidor da igreja

Paulo era um judeu helenista. Ele nascera em Tarso, a capital da Cilícia (At 21:39). Contudo, até certo ponto, desviava-se do estereótipo helenista, pois foi levado a Jerusalém, onde estudou sob a orientação de Gamaliel (At 22:3), o mestre farisaico mais influente da época. Como fariseu, Paulo era estritamente ortodoxo, embora seu zelo beirasse o fanatismo (Gl 1:14). Por essa razão, ele levou Estêvão à morte e se tornou a figura fundamental na perseguição que se seguiu.

1. De acordo com Atos 26:9-11, como Paulo descreve suas ações contra a igreja?

Paulo afirma em outra passagem que o evangelho era uma pedra de tropeço para os judeus (1Co 1:23). Além do fato de que Jesus não se encaixava na tradicional expectativa judaica de um Messias soberano, eles não podiam, de nenhuma maneira, aceitar a ideia de que Aquele que morrera em uma cruz pudesse ser o Messias de Deus, pois as Escrituras declaram que quem é pendurado em madeiro está sob a maldição divina (Dt 21:23). Para os judeus, portanto, a crucificação era em si mesma uma contradição grotesca, a prova mais clara de que as afirmações da igreja sobre Jesus eram falsas.
Luca, em Atos 9:1, 2, descreve Saulo de Tarso agindo contra os cristãos. Damasco era uma cidade importante que ficava a cerca de 217 quilômetros ao norte de Jerusalém, e possuía uma grande população judaica. Os judeus que viviam fora da Judeia eram organizados em uma espécie de rede, cuja sede estava em Jerusalém (o Sinédrio). As sinagogas funcionavam como centros de apoio para as comunidades locais. Havia constante comunicação entre o Sinédrio e essas comunidades por meio de cartas normalmente levadas por um shaliah, “enviado” (do hebraico shalah, “enviar”). Um shaliah era um agente oficial nomeado pelo Sinédrio para realizar várias funções religiosas.
Quando Paulo pediu ao sumo sacerdote, o presidente do Sinédrio, que lhe desse cartas dirigidas às sinagogas em Damasco, ele se tornou um shaliah, com autoridade para prender os seguidores de Jesus e trazê-los para Jerusalém (compare com At 26:12). Em grego, o equivalente a shaliah é apostolos, do qual deriva a palavra “apóstolo”. Portanto, antes de ser um apóstolo de Jesus Cristo, Paulo era um apóstolo do Sinédrio.

Você já foi zeloso por (ou contra) algo e depois mudou de ideia? Quais lições você aprendeu com essa experiência?
Ano Bíblico: Is 24–26
Ano Bíblico: Is 20–23
Segunda-feira
Na estrada de Damasco

2. Leia Atos 9:3-9. O que aconteceu quando Paulo estava se aproximando de Damasco? Qual é o significado das palavras de Jesus em Atos 9:5 (veja também At 26:14)?

Quando Paulo e seus companheiros se aproximavam de Damasco, por volta do meio-dia, eles viram uma luz vinda do céu que brilhava intensamente e ouviram uma voz. Aquilo não era apenas uma visão no sentido profético, mas uma manifestação divina, voltada, de certa forma, exclusivamente para Paulo. Seus companheiros viram a luz; no entanto, apenas Paulo ficou cego; eles ouviram a voz; mas somente Paulo a compreendeu. O Jesus ressuscitado apareceu pessoalmente a Paulo (At 22:14). Paulo insistia em dizer que vira Jesus, o que o tornava igual aos doze apóstolos como uma testemunha da ressurreição e também uma autoridade apostólica (1Co 9:1; 15:8).
O diálogo seguinte que Paulo teve com Jesus o impressionou infinitamente mais do que a própria luz. Paulo estava absolutamente convencido de que, ao atacar os seguidores de Jesus de Nazaré, estava fazendo a obra de Deus, purificando o judaísmo daquela heresia perigosa e terrível. Para seu assombro, no entanto, ele descobriu não apenas que Jesus estava vivo, mas também que, ao infligir sofrimento aos Seus seguidores, ele estava atacando o próprio Jesus.
Ao falar com Saulo, Jesus usou um provérbio, supostamente de origem grega, com o qual Paulo devia estar familiarizado: “Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões” (At 26:14). A imagem é a de um boi debaixo de um jugo, tentando se mover contra a vara pontiaguda usada para guiá-lo. Quando isso acontece, o animal só se fere ainda mais.
Essa afirmação indica uma luta na mente de Paulo – a Bíblia se refere a isso como a obra do Espírito (Jo 16:8-11) – que remontava ao que acontecera com Estêvão. “Saulo havia tido um papel de destaque no julgamento e condenação de Estêvão, e a impressionante evidência da presença de Deus com o mártir o deixara em dúvida quanto à justiça da causa que ele havia assumido contra os seguidores de Jesus. Sua mente estava profundamente agitada. Em sua perplexidade, consultou aqueles em cuja sabedoria e discernimento tinha plena confiança. Os argumentos dos sacerdotes e das autoridades convenceram-no, afinal, de que Estêvão havia sido um blasfemo, que o Cristo sobre o qual o discípulo martirizado pregara tinha sido um impostor” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 112, 113).

Por que é sábio dar atenção à sua consciência? Sem a direção do Espírito Santo, a consciência seria um guia seguro?
Terça-feira
A visita de Ananias

Quando percebeu que estava falando com o próprio Jesus, Saulo fez a pergunta que daria a Cristo a oportunidade que Ele estava esperando: “Que farei, Senhor?” (At 22:10). A pergunta indica contrição por causa de suas ações até aquele momento; porém, mais importante, ela expressa uma disposição incondicional de que Jesus guiasse sua vida a partir daquele momento. Levado a Damasco, Saulo deveria aguardar instruções adicionais.
Em Atos 9:10-19, a Bíblia revela como o Senhor atuara para preparar Saulo de Tarso para sua nova vida como o “apóstolo Paulo”. Em uma visão, Jesus incumbiu Ananias de visitar Saulo e colocar as mãos sobre ele para que sua visão fosse restaurada. Ananias, no entanto, já sabia quem era Saulo, como também sabia quantos irmãos já haviam sofrido e até perdido a vida por causa dele. De igual maneira, ele entendia muito bem por que Saulo estava em Damasco e, com certeza, não queria se tornar sua primeira vítima ali. A hesitação de Ananias é perfeitamente compreensível.
Ananias, entretanto, não sabia que Saulo acabara de ter um encontro pessoal com Jesus, o que mudaria sua vida para sempre. Ele não sabia que, em vez de continuar trabalhando para o Sinédrio, Saulo – para o espanto de Ananias – havia sido recém-chamado por Cristo para trabalhar para Ele. Isso significava que Saulo não era mais um apóstolo do Sinédrio, mas um instrumento escolhido por Cristo para levar o evangelho a judeus e gentios.

3. De acordo com Gálatas 1:1, 11, 12, qual reivindicação especial Paulo fez em relação ao seu ministério apostólico?

Em Gálatas, Paulo insistiu em dizer que havia recebido sua mensagem e seu apostolado diretamente de Jesus Cristo, não de nenhuma fonte humana. Isso não contradiz necessariamente a função desempenhada por Ananias em seu chamado. Ao visitá-lo, Ananias apenas confirmou a comissão que Saulo já recebera do próprio Jesus na estrada de Damasco.
Na verdade, a mudança na vida de Saulo foi tão dramática que nenhuma causa humana lhe pode ser atribuída. Somente a intervenção divina pode explicar como o mais obstinado adversário de Jesus pudesse, de repente, aceitá-Lo como Salvador e Senhor, abandonar tudo – convicções, reputação e carreira – e se tornar Seu apóstolo mais dedicado e produtivo.

A conversão de Saulo ilustra a atuação da graça. Embora duvidemos de que algumas pessoas aceitarão a verdadeira fé, o que aprendemos com a história de Saulo a respeito delas?
Ano Bíblico: Is 30–33

Quarta-feira
O início do ministério de Paulo

Em Atos 9:19-25, temos a impressão de que Paulo, após a conversão, permaneceu em Damasco por algum tempo antes de retornar a Jerusalém (At 9:26). Em Gálatas 1:17, porém, Paulo acrescenta que, antes de ir a Jerusalém, foi para a Arábia, onde aparentemente viveu em isolamento por um certo período. “Ali, na solidão do deserto, Paulo teve ampla oportunidade para sossegado estudo e meditação” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 125).

4. Leia Atos 9:20-25. Como Lucas descreve o ministério de Paulo em Damasco? Ele teve sucesso?

Quando Paulo partiu de Jerusalém com as cartas do sumo sacerdote, seu alvo inicial era os cristãos judeus que provavelmente tinham se refugiado nas sinagogas de Damasco (At 9:2). Então, depois de retornar da Arábia, ele finalmente chegou às sinagogas, porém, não para prender os cristãos, mas para aumentar seu número; não para difamar Jesus como um impostor, mas para apresentá-Lo como o Messias de Israel. O que será que deve ter se passado na mente daqueles que, tendo ouvido falar de Saulo apenas como um dos seus perseguidores, agora o ouviam testemunhar de Cristo? O que eles poderiam fazer, a não ser ficar maravilhados com o que Saulo de Tarso se tornara e com o que ele estava fazendo pela igreja? (Provavelmente eles não faziam ideia da influência que esse novo converso, afinal, viria a ter.)
Sendo incapazes de contradizer Paulo, alguns de seus oponentes conspiraram para lhe tirar a vida. O relato de Paulo sobre esse episódio (2Co 11:32, 33) sugere que seus adversários o denunciaram às autoridades locais para alcançarem seu objetivo. No entanto, com a ajuda dos fiéis, Paulo conseguiu escapar em um cesto, possivelmente através da janela de uma casa construída no muro da cidade.
Paulo sabia, desde o início, que enfrentaria desafios (At 9:16). Oposição, perseguição e sofrimento de diversas fontes seriam frequentes em seu ministério, mas nada abalaria a sua fé nem o seu senso de dever, apesar das dificuldades e provações que enfrentaria praticamente a cada passo de sua nova vida em Cristo (2Co 4:8, 9).

Apesar das lutas e da oposição, Paulo não desistiu. Como podemos fazer o mesmo quando se trata da fé, isto é, como perseverar em meio ao desânimo e oposição?
Ano Bíblico: Is 34–37
Quinta-feira
Retorno a Jerusalém

Tendo fugido de Damasco, Paulo voltou para Jerusalém pela primeira vez desde que havia partido como um perseguidor. Isso aconteceu três anos após sua conversão (Gl 1:18). Não foi um retorno fácil, pois ele enfrentou problemas tanto dentro quanto fora da igreja.

5. Leia Atos 9:26-30. O que aconteceu com Paulo quando ele chegou a Jerusalém?

Em Jerusalém, Paulo tentou se juntar aos apóstolos. Embora, naquela época, ele já fosse cristão há três anos, a notícia de sua conversão parecia tão inacreditável que os apóstolos, como Ananias antes deles, estavam bastante céticos. Eles temiam que isso fizesse parte de uma conspiração cuidadosamente elaborada. Barnabé, um levita de Chipre (At 4:36, 37), portanto, um judeu helenista, abrandou a resistência dos apóstolos e lhes apresentou Paulo. Eles também devem ter ficado maravilhados com o que Deus fizera a Paulo, uma vez que perceberam que ele era um cristão genuíno.
Essa resistência, no entanto, nunca desapareceria inteiramente – se não por causa das ações passadas de Paulo em perseguir a igreja, então, pelo menos por causa do evangelho que ele pregava. Como no caso de Estêvão, os judeus cristãos da Judeia, incluindo os apóstolos, demoraram muito para compreender o alcance universal da fé cristã – uma fé que não se baseava mais no sistema cerimonial do Antigo Testamento, especialmente no sistema sacrifical, que havia perdido sua validade com a morte de Jesus na cruz. As relações mais próximas de Paulo dentro da igreja na Judeia sempre foram com os cristãos helenistas: além do próprio Barnabé, seu círculo de amigos incluía Filipe, um dos sete (At 21: 8), e Mnasom, também de Chipre (At 21:16). Muitos anos depois, os líderes da igreja de Jerusalém ainda acusariam Paulo de pregar basicamente a mesma doutrina que Estêvão havia pregado anteriormente (At 21:21).
Durante os quinze dias em que ficou em Jerusalém (Gl 1:18), parece que Paulo decidiu compartilhar o evangelho com os mesmos judeus incrédulos que ele havia instigado contra Estêvão algum tempo antes. Assim como ocorrera com Estêvão, no entanto, seus esforços encontraram forte oposição, representando uma ameaça à sua vida. Em uma visão, Jesus lhe disse para deixar Jerusalém para sua própria segurança (At 22:17-21). Com a ajuda dos irmãos, ele foi até o porto da cidade de Cesareia e, de lá, seguiu para sua cidade natal na Cilícia, onde ficou por vários anos antes de iniciar suas viagens missionárias.
Ano Bíblico: Is 38–40
Sexta-feira
Estudo adicional

“Um general que tomba em combate está perdido para seu exército, mas sua morte não acrescenta força ao inimigo. Mas quando um homem preeminente se une às forças opositoras, não apenas se perdem seus serviços como ganham clara vantagem aqueles com quem ele se une. Saulo de Tarso, em caminho para Damasco, podia facilmente ter sido morto pelo Senhor, e muita força se teria retirado do poder perseguidor. Mas Deus, em Sua providência, não apenas preservou a vida de Saulo, mas converteu-o, transferindo assim um campeão do campo do inimigo para o lado de Cristo” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 124).
“Cristo ordenou aos Seus discípulos que fossem e ensinassem a todas as nações. Porém, os ensinamentos anteriores que eles haviam recebido dos judeus dificultavam sua compreensão completa das palavras do Mestre e, portanto, eles demoraram para agir de acordo com esses ensinamentos. Os discípulos se chamavam de filhos de Abraão e se consideravam herdeiros da promessa divina. Somente depois de vários anos, após a ascensão do Senhor, a mente deles foi suficientemente expandida para que entendessem [...] a intenção das palavras de Cristo, de que deveriam trabalhar pela conversão dos gentios e também dos judeus” (Ellen G. White, Paulo, o Apóstolo da Fé e da Coragem, p. 38).

Perguntas para discussão
1. “Por que Me persegues?” (At 9:4). Para Paulo, essa pergunta era uma indicação de que Jesus de Nazaré realmente havia ressuscitado dos mortos e indicava a identificação espiritual que existe entre Jesus e Sua igreja (veja também Mt 25:34-45). Assim, qualquer dano causado à igreja é causado ao próprio Jesus. O que isso significa para nós hoje?
2. Testemunhar de Jesus envolve sofrer por Ele. Não é por acaso que a palavra grega para “testemunha” (martys) veio a ser associada a “martírio”. O que significa sofrer por Jesus?
3. Existe um velho dito latino, Credo ut intelligam, que significa: “Eu acredito para que possa entender”. Como essa ideia nos ajuda a compreender o que aconteceu com Saulo? Antes de sua conversão, ele não entendia. Só depois de sua experiência ele foi capaz de compreender. Que lição podemos extrair disso nos momentos em que nos frustramos com aqueles que não acreditam em verdades que nos parecem tão claras?
Ano Bíblico: Is 41–44

Ano Bíblico: Is 27–29