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O uso de dramatizações na Igreja Adventista

Postado em 20/Abril 2017

De quando em quando se levanta alguém na igreja com algum tipo de “nova luz” ou com uma ênfase um tanto exagerada ou desequilibrada sobre certos assuntos. Essas pessoas se valem de textos bíblicos ou de citações de livros de Ellen White fora do seu contexto ou com aplicação indevida e criam, assim, situações que mais promovem desunião e agitação nas igrejas do que o desejo de um reavivamento e uma reforma genuínos, promovidos pelos Espírito Santo, com mansidão e sem comprometer a tão preciosa unidade pela qual Jesus orou em João 17. Essas pessoas deveriam compreender (já que usam tanto os escritos de Ellen White) que Deus está guiando Sua igreja e tem pessoas sábias e consagradas, colocadas no lugar certo e fazendo o trabalho dEle. Uma dessas pessoas a quem conheço pessoalmente, de quem fui aluno e sou admirador, é o pastor Alberto Timm, PhD em Teologia e diretor associado do White Estate, na sede mundial da Igreja Adventista, nos Estados Unidos. Em setembro de 1996, a Revista Adventista (órgão informativo oficial da igreja no Brasil) publicou um artigo dele sobre o uso de dramatizações em nossas programações. Como esse tema é recorrente e a polêmica às vezes se instala, resolvi postar aqui o artigo, que é bastante elucidativo. Logo após, coloquei um link para outro documento, do Centro de Pesquisas Ellen White, localizado no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp, campus Engenheiro Coelho), e adicionei uma nota sobre “ficção” e o que Ellen White escreveu sobre isso, tema que se assemelha, de certa forma, à questão das dramatizações, pois ocorre que alguns também polemizam o assunto usando igualmente textos fora de contexto. Espero que o material a seguir lhe seja útil e que as pessoas entendam que Deus está guiando Sua igreja, um povo, não vozes dissonantes e inconsequentes. [MB]
O uso de dramatizações na igreja
Especialistas na área de comunicação têm afirmado que aprendemos 83% das informações do mundo exterior por meio da visão; 11% por meio da audição; e 6% distribuídos entre o tato, o olfato e o paladar. Isso significa que nos lembramos muito mais daquilo que vemos do que daquilo que meramente ouvimos. Se a visão é tão eficaz no processo da comunicação, deveria a Igreja Adventista do Sétimo Dia valer-se apenas de recursos auditivos na proclamação do “evangelho eterno” (Ap 14:6)? Até que ponto poderia essa denominação incorporar recursos visuais e dramatizações em seus serviços religiosos, sem com isso infringir princípios expostos na Bíblia e nos escritos de Ellen White?
A fim de respondermos a essas questões, consideraremos, inicialmente, alguns antecedentes do uso de dramatizações na literatura bíblica e nos escritos da Sra. White. Procuraremos, então, identificar alguns princípios básicos que poderão nos ajudar a estabelecer parâmetros seguros sobre o assunto.
No Antigo Testamento – A liturgia do Antigo Testamento centralizava-se nos rituais simbólicos, primeiro, dos altares patriarcais; depois, do tabernáculo mosaico; e, por último, do templo de Jerusalém. Esses serviços, ministrados por sacerdotes (cf. Êx 28 e 29; Lv 8), constituíam uma prefiguração dramática da salvação que haveria de se concretizar por meio do sacrifício e do sacerdócio de Cristo. Animais representavam a Cristo; a imolação desses animais simbolizava a morte de Cristo; e o sangue deles prefigurava o sangue de Cristo. Também as festas de Israel eram marcadas por inúmeras dramatizações (ver Êx 12:1-27; Lv 16 e 23). Ellen White denomina todo esse sistema centralizado no santuário de “o evangelho em figura”.
Outro ato religioso dramático do Antigo Testamento era a cerimônia da circuncisão. Esse ato foi ordenado por Deus como um símbolo exterior do concerto entre Ele e Seu povo.
Em Números 21:4-9, Deus ordenou que Moisés preparasse e levantasse uma “serpente de bronze”, como um símbolo de Cristo. Todos aqueles que olhassem com fé para aquela serpente viveriam.
Dramatizações são encontradas também nos livros proféticos do Antigo Testamento. O próprio Deus usou recursos pictóricos para descrever realidades sociopolíticas e religiosas nas visões proféticas registradas em tais livros, como Ezequiel, Daniel e Zacarias. Por exemplo, no capítulo 2 do livro de Daniel, a segunda vinda de Cristo é representada pela grande pedra que feriu os pés da estátua. Já no capítulo 1 de Oseias, encontramos Deus ordenando que o próprio profeta (Oseias) dramatizasse a apostasia espiritual de Israel, casando-se com uma prostituta.
Portanto, o uso de recursos visuais (incluindo dramatizações) permeava o culto do Antigo Testamento. Tais recursos eram parte do serviço do santuário, da cerimônia da circuncisão e dos ensinos proféticos. Mas o emprego de tais recursos visuais não se limita apenas ao Antigo Testamento.
No Novo Testamento – Os quatro Evangelhos apresentam inúmeras ocasiões em que Cristo usou ilustrações vívidas da natureza e da vida diária para ensinar lições espirituais. Ele não apenas Se valeu do recurso didático das parábolas, mas até comparou-Se a Si mesmo com tais figuras como a água (Jo 4:10), o pão (6:41 e 48), a luz (8:12), a porta (10:9), o pastor (10:14) e a videira (15:1-5).
A própria cerimônia do Batismo é uma dramatização simbólica, instituída por Cristo para marcar o início de uma vida de consagração a Deus. Cristo não apenas Se submeteu a essa cerimônia (Mt 3:13-17), mas também ordenou que ela fosse ministrada a todos quantos aceitassem o evangelho (28:18-20).
Até mesmo Sua morte dramática sobre a cruz tinha propósitos didáticos. Ellen White declara que “a cruz é uma revelação, aos nossos sentidos embotados, da dor que o pecado, desde o seu início, acarretou ao coração de Deus”. Ela acrescenta que “o Calvário aí está como um monumento do estupendo sacrifício exigido para expiar a transgressão da lei divina”.
Esse evento dramático ocorreu sobre uma cruz com o objetivo de tocar os “nossos sentidos embotados”. Ele é relembrado simbolicamente por meio da cerimônia da Santa Ceia (ver Mt 26:17-30; Jo 13:1-20), que é, por sua vez, uma dramatização litúrgica ordenada por Cristo para ser repetida periodicamente por Seus seguidores (cf. Jo 13:13-17; 1Co 11:23-26).
À semelhança de alguns livros proféticos do Antigo Testamento, o conteúdo do Apocalipse de João é caracterizado por dramatizações simbólicas, que descrevem pictoricamente o desenvolvimento do plano da salvação no contexto do grande conflito entre as forças do bem e os poderes do mal.
Por conseguinte, o Antigo e o Novo Testamentos estão permeados de dramatizações simbólicas. Especialmente o Batismo e a Santa Ceia são dramatizações do plano de salvação, instituídas pelo próprio Cristo como parte da liturgia de Sua igreja.
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